terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Pra depressão, existe bicicleta! E Mogi das Cruzes!

Achei minha bicicleta encostada em um canto. Que saudades do tempo que eu era bolotinha e andava de bicicleta ? tudo bem, eu morria toda hora de cansaço, e eu vivia pensando que quando emagrecesse a coisa seria mais fácil ? mas como diz a mamãe, não foi bem como as expectativas. Emagreci, mas o fôlego melhorou só um pouquinho.

Ela continua lá bonitona, vermelha e preta (diz a lenda que absolutamente tudo que eu tenho é ou tem vermelho no meio, hehe). E mesmo depois de mais de cinco anos sem andar nela, continuou bem, exceto o fato de sair teias de aranha do pneu quando o enchi depois de anos parado. Comecei então a pedalar. No primeiro dia, encontrei uma aluna minha da época do CNA. Ela é uma infante, tem apenas onze ou doze anos. Fiquei surpreso, abismado e vou dizer um tanto admirado por ter visto que ela tingiu o cabelo de vermelho! Não sei se foi uma má influência de minha parte (cá entre nós, as crianças acho que tinha algum apego a mim), mas o cabelo dela estava de fato ruivo. Ela até perguntou o que aconteceu com o meu cabelo pra estar preto. Sei que ela é inteligente, mas infelizmente tem coisas que só com a idade mesmo. Senti que ela tinha um ar de fadiga imensa, e quando perguntei o que fazia da vida, me disse que estava fazendo natação, caratê, inglês e ainda estudando numa escola deveras puxada. Naquela hora lembrei daquela menina sorridente, que fazia brincadeiras de tentar arranjar uma namorada pra mim (que sempre dava errado, hahaha... Um dia eu conto aqui o que elas faziam...) porque ela dizia que eu já estava velho, e que minha esposa iria me amar bastante e passou a hora de eu me casar. A mesma menina que saia correndo com meus pertences, escondendo minha mochila em tudo quanto era canto e que só queriam brincar com quelas típicas brincadeiras de curso de inglês que mesmo sendo o clássico "jogo do advinha em inglês" ou "jogo da memória em inglês", elas sempre adoravam.

Mas ao mesmo tempo vi que ela tinha tingido o cabelo de vermelho, e havia perguntado o que tinha acontecido com o meu, senti um estranho sentimento ali, como se houvesse alguma desilusão. Não sei essas crianças de hoje em dia são um tanto avançadas, e ultimamente minha capacidade dedutiva está meio em baixa, porém creio que talvez aquela menina tingisse o cabelo de vermelho exatamente pra se lembrar do ?cara de cabelo vermelho que além de um professor foi um amigo, que simplesmente do nada sumiu e nunca mais apareceu?. Ás vezes olho pro espelho e me pergunto, como certas coisas que consigo deixar pra trás tão facilmente, e como outras eu perpetuo a continuar martelando, tanto no caráter de punição pra mim, ou apenas de uma boa lembrança. Ela perguntou o que aconteceu comigo pra ter parado de dar aulas, e apenas respondi que saí de lá. Apenas omito, não minto.

No segundo dia fui andar com meu primo, mas ele tem muito mais fôlego que eu. Como onde eu moro tem muitos morros, curvas e afins piorava ainda mais a situação (pro meu lado, é claro).

Terceiro dia enquanto eu retomava o ar, parei na frente de uma casa e encontrei um vovôzinho que primeiramente me olhou meio torto, depois fez até comentários engraçados. Brinquei com ele dizendo ?Meu médico que me mandou pedalar, senão eu não passo dos quarenta!?. Parecia muito simpático, espero me encontrar com ele novamente. E depois de ficar umas duas horas andando por aí, passei na casa da minha avó e fui dar um alô a ela. Lá, vi minha priminha de dois aninhos. Ela perdeu o medo de mim (acho que é o meu problema é o rosto e o resto) e ficamos até brincando um bom tempo. Dá pra terem uma singela noção do que é brincar com uma criança depois de fazer exercício físico, certo? Pra piorar eu quando estou com crianças não vejo limites, e fico brincando e me esbaldo. Aí a regra é até eu cair duro no chão morto de cansaço, ou eu sentir dores horríveis pelo esforço físico depois. No caso, o segundo imperou.

Fiquei com várias dores pelo corpo, é impressionante como eu tento ir no fôlego deles, e depois quem fica sem ar sou eu. Não estou reclamando, apenas ás vezes acho que deveria ter um pouco mais de noção dos meus limites quando estou com crianças, porque realmente eu os perco totalmente. Estou direto na dipirona pra manter as coisas no lugar e diminuir um pouco a dor. Mas ela é fofinha, linda, cuti-cuti, e eu quase a roubei, heheh... Ah, gosto de menininhos também, mas sonho meu é ter uma filhinha mocinha. Acho que é um dos meus muitos complexos, por eu ser criado apenas ao lado de homens e mais homens e mulheres-homens (só tenho irmãos e primos homens. A minha prima eu ganhei mais amizade com ela há pouco tempo, porque ela morou longe um bom tempo. Todos da minha geração, claro). Mas sei que eu a encheria de mimos e ficaria mostrando ela pra todo mundo igual um troféu, ficaria andando e brincando com ela por aí, e aí sim eu provavelmente não passaria dos quarenta, heh.

No quarto dia de bicicleta fomos ao Parque do Ibirapuera andar um pouco por lá. Fomos eu, meu primo Lucas, mais dois amigos dele, Renan e Richard. Vi que os problemas ás vezes são as subidas malditas, coisas praticamente inexistentes na ciclovia do parque. Consegui correr e ir com tamanha velocidade que jamais conseguiria tal coisa se andasse por essas bandas aqui.

Ontem porém não andei de bicicleta. Mas fiquei o dia inteiro fora. Sei que vai ter um monte de gente talvez que venha descer o couro em mim e vai dizer que é besteira eu ainda correr atrás dela, que eu deveria ter esquecido dela há muito tempo e que eu nem deveria ter feito isso com ela. Mas eu fiz.

Porém, eu fui sim pra Mogi das Cruzes, encontrar-me com a Angela! xD

Aí vocês me perguntam: E aí? Aconteceu alguma coisa?

Pra ser sincero, não. =P

Na verdade eu nem queria que ela me visse mesmo, foi uma viagem deveras desgastante. Saí de casa ás 9h, de lá ainda tive que passar no Terminal João Dias pra botar passe, de lá fui pro Metrô São Judas, desci no Armênia, peguei um Intermunicipal até Mogi. O problema é que o ônibus demorou TRÊS HORAS E MEIA. Passou por Poá, Suzano e Itaquaquecetuba praticamente inteiros. Só fui chegar em Mogi ás 14h30, depois de cinco horas de viagem pública. Ainda levei lá uns 15 minutos até chegar na casa dela.

Antes de chegar eu pensei "Hora, vou só aparecer lá, dizer que eu quero entregar um presente pra ela de ano novo e vou embora!", mas na hora que eu cheguei me bateu uma super-hiper mega vergonha (sim, velhos também têm vergonha e timidez) e sentei na calçada na frente da casa dela. Aliás, só achei de fato a casa dela pelo cãozinho dela. Quando eu passei na frente na avenida onde ela mora eu não tava achando de forma alguma o lugar, até que ele começou a latir e quando eu olho pro lado, o número certinho da casa.

Foi aí que depois de eu ficar sentado me lamentando durante uns 20 minutos sem coragem de entrar na casa dela, os deuses mandam um sinal, em forma de funcionário dos Correios, que bateu na casa dela. Não foi ela, aliás, sequer a vi. Mas entreguei pra talvez a governanta da casa dela, e disse que era um pequeno presente de Sir Alain.

Depois fui embora. A talvez governanta da casa dela disse que ela ligaria depois pra mim, mas eu sei que ela não ligaria. Mas gostei de ver que ela recebeu bem o presente e não mandou ela dar uma facada, ou me dar um tiro, ou quem sabe me expulsar aos berros (nunca se sabe. Eu tenho uma imaginação fértil, heheh). Depois fui criando coragem pra encarar mais cinco longas horas de viagem pra casa, que resultaram em seis horas, graças a chuva torrencial que caiu em São Paulo ontem.

Ah, mas a cidade é lindíssima, isso eu tenho que admitir. Adorei o centro, as regiões históricas estão MUITO bem conservadas (ao contrário daqui de São Paulo, que puta-que-o-pariu... Peguem o ABC como exemplo Kassab maldito que fica proibindo cartazes ao invés de cuidar do nosso patrimônio histórico!) e duas coisas que me impressionou e muito foi a belíssima vista da cidade, direto nos montes que rodeiam o caminho pro Interior. Sério, é lindíssimo, e talvez por causa do tempo eu vi uma neblina belíssima perto dos picos. Coisa de cinema, juro. A segunda foi o fato da cidade não ter praticamente nenhuma ladeira. A cidade é PLANA! Pra eu, que moro num local rodeado por morros, seja os de traficantes ou favelas, é algo realmente surreal. Isso que é o que chamam de cidade à lá Romana, heh... (menos Roma, é claro)

Sim, eu sou apaixonado pelo ABC. Menos Osasco (brincadeira, Silvio!). Mentira, Osasco é lindíssima, principalmente aquela ponte. Tem que ver com os olhos mesmo, não veja por fotos, é magnífica. Santo André conheci ano passado também e adorei, embora o ar seja meio ruinzinho (o centro de lá parecia um ar da vinte-e-cinco misturado com o das empresas alí do Alto da Boa Vista...), é uma cidade bem arborizada. São Bernardo do Campo a Cris tá pra me convidar ainda, hehe!

Mas foi boa a viagem. Ao menos pra mim. Agora podem vir xingando que eu deixo. Mas como a tontura de ficar o dia inteiro só com café da manhã já passou (mas eu tomei um lanche a noite em casa, hehe...) Aliás, só fui chegar em casa pontualmente ás 21h05. Doze horas e cinco minutos fora. Talvez alguém aí pergunte se valeu a pena, afinal eu nem encontrei com ela nem nada, mas eu até digo:

Valeu. ^_^

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