segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que Dir en Grey significa pra mim.

"Ah, eu gosto muito, eles são fodas! Tenta ouvir um pouquinho e você vai ver como é bom". Sim, ela era fria, vivia no meu coração, e já se foi dessa para uma melhor. Mas me deixou isso como um grande presente.



Ontem foi um show do qual nunca pensei que veria na vida. Afinal, que chance teria de cantores japoneses virem fazer um show no Brasil, em especial um país que consome mais rock americano que os próprios americanos? Quase nenhuma. Do meu primeiro salário saiu o ingresso, olha que poético. Logo no primeiro ordenado gastar com aquilo que achava improvável - que era ver um show deles.

Embora Dir en Grey não tenha sido a primeira banda pela qual me interessei (a primeira foi o trio de koreanas do S.E.S), sempre teve um significado muito importante. Ao contrário do Michael que me influenciou quase que totalmente em meus atos - desde o ser pessoa bondosa, de adorar crianças, gostar de música e especialmente de dança, além de criar uma personalidade própria minha - com os japoneses malucos do Dir en Grey foi bem o oposto. Não fui influenciado, apenas fiz uma assimilação de conceitos e valores que achei serem bem parecidos - ou interessantes - pra mim.



Kyo grita muito no palco. Em suas palavras, disse que o Dir en grey grita por aqueles que não conseguem gritar. Porém lá no palco minha ação foi a de gritar, de cantar junto, de pular, suar igual um porco e ficar agora com pouca voz e baixa audição.

Não é o ritmo. Poderia ser até forró, afinal eu sou uma pessoa que admira muito a sabedoria caipira, onde canções de moda de viola são verdadeiras obras filosóficas pra Sócrates ver e fazer biquinho. Mas as coisas que a banda prega, todo esse lado obscuro das coisas, da sociedade, e de tudo sempre foi algo que me atraiu bastante - isso é, embora eu seja uma pessoa que pra tudo parece um verdadeiro mar de rosas.



A diferença do Dir en grey pras outras bandas é que eles não fazem apenas músicas gays pra meninhas ficarem com a periquita molhada. São músicas mesmo, que tratam desde temas como aborto (mazohyst of decadence), suicídio (THE FINAL) ou até hipocrisia política/ideológica (CLEVER SLEAZOID) ou até tema nenhum, ou muitos temas, ou temas bizarros (Agitated Screams of Maggots). Coisas que nenhum Lulu Santos teria nem metade da coragem deles pra se meter. Talvez seja por isso que eles não vendam tanto, embora seus fãs sejam fiéis e nada convencionais.

Acho importante sacudir as pessoas de alguma forma. E usar a música é o melhor exemplo pra tirar aquele neguinho acéfalo que se acha o roqueiro porque ouve Livin' on a prayer e trazer para um lugar onde ele possa pensar e agir por si mesmo, não pelo que os outros dizem. Não apenas ouvir a música apenas porque é legal, ou porque não é a combinação clichê que nenhum roqueirozinho de merda gosta: Sertanejo, funk, pagode. Mas porque essa música de alguma forma é um grito para que isso ajude a despertar nos outros o que despertou de certa forma em você.



Rock morreu há muito tempo. Quando vejo alguém se definindo como "roqueiro" eu tenho uma pena dela do fundo do coração. Porém alguns recriam, e esses eu sigo e ainda fazem jus ao nome. Mas não me taxe disso, senão vai levar um soco bem na tua fuça.

E quem diria que eu achava eles uns chatos no começo. =P

Obrigado Dir en Grey. Obrigado pelo calo no dedão, pelo cansaço extremo, por eu ter tomado chuva, por quase roubarem meu celular, por ter perdido a voz e audição, e obrigado mesmo por ter me proporcionado o melhor show da minha vida da melhor banda de j-rock que o mundo e o Japão já viram.

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