sábado, 22 de maio de 2010

Renascimento. Reborn.

Sábado.

Sinceramente, queria que todos os problemas estivessem lá longe. Mas acordar num dia de folga é algo difícil de explicar. Acordei ás 8h, vi pela janela da sala que o dia amanheceu bonito, céu azul, que eu tanto odeio.

Deitei e fui cochilar um pouco. Pensei que iria no centro hoje com a minha mãe de manhã, mas ela disse que queria descansar - a semana foi bem pesada pra ela também no trabalho.

Mas de alguma forma me senti muito bem.

Antes de entrar no Senac eu me consultei com uma mulher que fazia quiromancia, leitura de mãos. Estava saindo de uma faculdade que odiei (arquitectura), estava entrando em uma que nem sabia se terminaria ou não. Me despedindo dos meus amigos que fiz lá, e tentando dar um novo início pra minha vida depois da morte de alguém querida que ainda luto todos os dias pra superar.

Nunca contei isso aqui sobre essa consulta, até onde eu lembre. A mulher disse que eu conseguiria terminar, que isso me traria um futuro e eu poderia ter meu talento multiplicado. Ao mesmo tempo, a donzela disse que seria um caminho muito difícil, e que mesmo com as dificuldades, eu não deveria desistir jamais. Pois no final, tudo daria certo.

E então tudo foi passando. Primeiro Semestre, máquina de Rube Goldberg, onde construímos algo físico, martelamos, fomos antes do horário, ficamos até tarde da noite e no final a sala inteira se uniu em torno disso aqui. No Segundo semestre tivemos que correr atrás de autores, edição de vídeo, roteiro, storyboard e muitas discussões acerca de qual tema abordaríamos para produção de um filme.

Já no terceiro semestre fizemos um site, onde produzimos um portal de ensino de inglês para crianças e levamos críticas imbecis de professores que associavam arco-íris com o movimento gay, e não com coisas infantis. No quarto semestre foi um game, onde mesmo eu não gostando muito do assunto escrevi pra caramba, mas no final acabou saindo bem. E aprendi quase nada no semestre, mas tudo bem.

Depois tivemos o quinto semestre onde aprendemos a trabalhar em grupos diferentes, fomos até os cafundé de São Paulo numa vila perdida pesquisar (Paranapiacaba), pra no final fazer um projeto de infomativo turístico. Por fim, no último projeto, sexto semestre, o famosa harpa a laser, um dos mais difíceis, e que dispensa comentários.

Hoje penso que deveria ter feito algo mais fácil, como administração, ou logística. =P
Mas ao mesmo tempo penso que sou designer, sou criativo, meu trabalho é mexer com a criação. Aquela mulher disse que eu passaria por muitas dificuldades, pensei sinceramente que ela estaria mentindo, afinal eu já tinha uma base, já tinha mexido com web e coisas digitais, e nunca nem em meus mais bizarros pesadelos pensei que tudo seria tão difícil.

Todos os semestres foram uma luta. E não teve nenhum semestre que eu pedisse uma ajuda de Deus lá em cima, e ele sempre me ajudou. Todo santo semestre, que depois de apresentar e entregar o projeto final, eu não olhasse pra cima, apontasse pro céu, e dissesse pra mim mesmo "Muito obrigado. Mais um semestre com êxito, valeu! Graças a você!".

Mas esse semestre não deu.

Óbvio que estou triste, mas é assim que as coisas acontecem. Se nos outros semestres eu ficava péssimo no final, nesse eu passei por apuros durante todos os dias. Encarar uma orientadora incompetente, que não me ajudou no tema e nem me indicou um único autor a tempo, uma pesquisa que me tirou finais de semana, noites de sono, e que me fez me afastar durante muitos meses das pessoas que eu mais amo, foi muito complicado.

O resultado foi uma pesquisa ampla, com quase cem páginas. Que sequer foi aprovada pra ir pra banca pra eu receber um parecer oficial do meu esforço. Foi retido bem antes.

No dia foi como uma facada. Foi como a morte.
Foi como se todo o esforço morresse, todo o semestre inteiro de árdua pesquisa fosse tragado pros confins de um não-lugar.

E quando todas as esperanças morreram junto do TCC, morri junto do mesmo. Me senti um lixo de pessoa, chorei sozinho, não quis a ajuda de ninguém. Aliás, nunca quis, sou uma pessoa de egoísmo extremo nessa parte, se eu me meto num buraco, nada mais certo do que eu sair de lá com meus próprios braços.

De alguma forma de muita reflexão entendi a morte. Estranho né?
A morte pode ser um sofrimento, uma dor. Morte não é apenas o fim, mas um fim com um recomeço logo em seguida.

Essa semana vi que tiramos forças de lugares e isso nos enriquece. Nunca peguei DP, e nem mesmo tirei uma nota ruim em todos meus tempos de escola. De alguma forma, teria uma primeira vez, mas não pensei que fosse agora, depois de tantos obstáculos, pertinho ali, da reta final, do final da faculdade.

É tempo de recomeçar, sir Allain de Paula. O ato de construir é muito mais edificante que o de destruir pessoas. Quem sabe no dia que as pessoas souberem disso o mundo não se torna um local muito melhor, com pessoas se ajudando, se compreendendo, guiando umas as outras? Você não precisa de uma punição se você entende bem, mas se você é punido, mesmo que injustamente, você tem que pegar algo de enriquecedor nisso.

Semestre que vem, tamos ae. Vão em paz quem passou, me esperem lá na linha de chegada que chegarei logo depois de vocês.
Mas eu chegarei. Não tenham dúvidas disso.

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