quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Corpo é o vazio. Vazio é o corpo.

MANO, eu li um livro doido escrito pelo Dalai Lama sobre o Sutra do Coração. Nós na Shinnyo-en (a comunidade budista que participo) entoamos ele, mas nunca entendi direito o significado. Não sei se posso falar sobre, mas se o Dalai Lama escreveu um livro, eu acho que posso falar o que entendi, lol!

Como se chegar na iluminação
Buda foi acima de tudo um grande filósofo. O budismo, aliás, é uma das poucas religiões que pedem pra você questionar o ensinamento. Eu gosto de dizer que é uma religião-filosofia, porque toda essa porra toda faz um sentido do caralho (desculpa os palavrões!).

O objetivo do budismo é alcançar o Nirvana, e cada um pode chegar lá. Nirvana é a libertação do sofrimento, e o Buda conseguiu descobrir como:

1. Primeiro entenda que o sofrimento é inevitável.
2. Já que você não pode escapar dele, entenda que ao menos ele tem uma origem.
3. Se você sabe a origem do sofrimento, você pode atenuá-lo.
4. Se você atenua e sabe sofrer menos... Bum! Você alcança o Nirvana.

Parece simples, mas não é. Gosto de dar o exemplo do carro. A gente fica querendo muito um carro, quer tanto que fica ansioso, mal-humorado, bate no cachorro, espanca a mulher, enfim...

1. O seu sofrimento vem do desejo de ter um carro. Desejos todo mundo tem, normal.
2. Se você sabe que esse desejo insaciável faz você agir de modo a fazer os outros sofrer, já é um começo.
3. Se você, sabendo que a vontade de ter um carro faz você ter dor de barriga e combate ele ficando menos ansioso e preocupado, você combate o sofrimento.
4. Se você consegue aplicar esse insight em outras coisas da sua vida, you've got the Nirvana!

Mas não é bem assim
Esse ensinamento do Buda ele chegou a conclusão quando ele era um belo rapaz latino americano sem dinheiro no banco e sem amigos importantes (mentira, ele era ricaço e comia todas!). Acontece que apareceu um maluco chamado Avalokitesvara, mas vamos usar o nome japonês dele, Kannon. Ele é um bodhisatva, e parece que ele viveu na mesma época do Buda, um amigo de boteco. Bodhisatva é alguém que alcançou o Nirvana, assim como o Buda.

Foi dele que surgiu o Sutra do Coração, que complementa esse conceito do Buda sobre o sofrimento. Eu faço a entoação dele nipônica (olha nesse video). Nele, ele afirma que os cinco agregados são vazios de existência interna. Cinco agregados são: forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência.

Vamos por partes porque tem um livro inteiro pra explicar, e vou fazer um resumo do resumo (espero que consiga entender):

Forma é vacuidade e vacuidade é forma.
Quando ele fala em falta de existência intrínseca, significa que as coisas não conseguem existir por sí mesmas.

Exemplo: Se eu sinto ódio por alguém, esse ódio só existe porque existe eu, a pessoa que sinto ódio, e o sentimento somente existe entre nós dois. Logo apenas eu odeio essa pessoa porque apenas eu vi algo nessa pessoa para odiar. Faz lógica?

Nem todos têm o mesmo ódio sobre a pessoa. Então esse sentimento é vazio de existência por sí só porque ele só existe entre nós dois. Logo, eles estão na vacuidade.

Por ele ser vazio de existência, ele, assim como tudo no mundo, um dia vai acabar.

Exemplo: Por mais que eu ache um carro bonito, um dia ele vai parar de funcionar e parar no ferro velho. Pode ser em cinco anos ou setenta. Nada, nem mesmo nós existimos para sempre. Nada é pra sempre. Nem mesmo aquela paixãozinha que você sente pela loirinha que você comeu nesse fim de semana.

Pare de ver filmes românticos também. Isso é uma dica pra vida, não uma dica do budismo. Dá pra fazer uma lavagem cerebral em escala global apenas com comédias românticas.

Mas esse vácuo não é niilismo! As coisas existem porque existem pessoas que fazem com que isso exista (hã??). Tanto as coisas boas como ruins acabam. Elas não são eternas, nem mesmo a sabedoria.

Logo, se nada dessas coisas existem por sí só, quem busca a iluminação teria nada a obter, certo? Certíssimo! A tristeza vem exatamente desses apegos a essas coisas vazias, esse apego a essas coisas da vacuidade é que freiam o ser humano, e não permitem que ele cresça.

Logo uma pessoa atrás da iluminação arrisca, pois não tem a nada a perder, e consegue chegar lá pois nada o impede, pois ele tem consciência que elas no fundo não existem!

Voltando ao exemplo do carro que dei em cima: Se ele entender que a tristeza de não ter um carro é vazia, e só existe porque ele próprio a criou e ele próprio a sustenta, conseguirá chegar na iluminação. Porque não haverá barreiras, não haverá tristeza, não haverá felicidade, porque todas as sensações, coisas e percepções da nossa cabeça são efêmeras.

E a verdadeira felicidade vem de saber que todas essas coisas podem deixar de existir se você deixar de ligar pra elas. A tristeza e felicidade passageiras são danosas pois estão num ciclo. Escape do ciclo entendendo a vacuidade das coisas e... Tcharam! Alcança a iluminação.

Expliquei tudo rápido, meio por cima, usando exemplos, mas aqui vai o maior questionamento:
ALGUÉM ENTENDEU ALGUMA COISA??


Se alguém entendeu, replique isso a alguém. Isso pode parecer simples, mas pode ajudar alguém a viver melhor, eu acho. É uma filosofia interessante, e uma maneira mais interessante de se lidar com a vida e os problemas, independente da religião, acredito. Acho que no fundo o Buda nunca quis ver milhões de pessoas o reverenciando. Mas sim que cada um encontrasse uma maneira de viver melhor e mais feliz, libertar as pessoas dessas coisas mundanas e fúteis.

E é nisso que acredito.
Dúvidas? =P

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