domingo, 7 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #11


Último dia começou bem. Fomos para o templo direto e somente tivemos tempo de cumprimentar o Buda pra depois descer e nos trocarmos. O dia começou chuvoso. Lembro do que a Keishu-sama disse numa das cerimônias anteriores que não importa qual fosse o clima no dia, ele seria realizado sob chuva ou sob sol.

Porém conforme a manhã foi passando o tempo foi abrindo. Porém estava fresquinho na hora que fomos para o local para irmos pra área do Homa. Meu medo era que estivesse muito sol.

E então começou. Na hora não sei como explicar. A gente simplesmente foca e segue reto. Porém eu estava muito, muito, muito nervoso. Eu ia dar o meu melhor não via esse mix de emoções como algo ruim. Mas eu estava bem tenso. E então a procissão começou com a Keishu-sama no final dela.

Quando ela entrou na área do Homa nós temos que fazer uma reverência pra ela no momento que ela passar na nossa frente. Eu estava olhando pra ela, tentando entrar em comunhão com ela, e ela apenas olhava pra baixo, concentrada com seu cajado, indo até o local que deveria ficar sentada. Foi aí que algo aconteceu.

Do nada os olhos da Keishu-sama se encontraram com os meus. Ela olhou de uma maneira bem profunda pros meus olhos por uns dois segundos que não sei como explicar, mas todo aquele meu nervosismo passou. Senti uma grande leveza em mim, provavelmente fui alvo da força incrível do Bakku-daiju. E, do nada, toda essa energia que estava de alguma forma me impedindo se foi, e eu relaxei. No meio do Saito Homa no centenário da fonte espiritual Shojushin-in.

Fiz minha performance, dei o máximo de mim. Não estava com minha voz 100%, mas dei o meu melhor! Ao entrar fiz uma reverência pra Keishu-sama e pro Achala. De algum lugar eu tinha tirado força, e tudo daria certo!

Depois que a cerimônia acabou fomos nos encontrar com a Keishu-sama.

Quem leu as palavras de gratidão foi o Lee-san, da Coréia do Sul. Depois disso todos nós falamos obrigado em nossa língua e a Keishu-sama começou a agradecer um a um com um aperto de mão e olhando nos nossos olhos. Eu nesse momento não queria tradução, queria apenas ouvir sua delicada voz ao vivo e guardar aquele momento pra sempre no meu coração. Quando foi a minha vez de ela pegar na minha mão ela falou algo pra mim, porém não tinha entendido, e todos deram risada e eu também dei risada, sem entender nada.

Depois disso fomos almoçar, trocamos de roupa e durante o almoço fiquei pensando nessa energia que me acalmou que senti do nada quando meus olhos se encontraram com os da Keishu-sama.

Foi aí que a Cirella, da Holanda, chegou em mim e disse: “E aí, tá se preparando pro Saito Homa no Brasil?”. E eu disse: “Saito Homa no Brasil? Num tô sabendo de nada!”, e ela respondeu: “Como não tá sabendo? A Keishu-sama disse na sua frente, você não ouviu a tradução?”.

Durante a hora que estávamos apertando as mãos disseram que eu era do Brasil. Keishu Shinso, sumo-sacerdotisa de Shinchoji olhou pra mim naquele momento e disse: “Oh, Brasil? Eu adoraria fazer um Saito Homa no Brasil!”.

E eu não ouvi a tradução. E depois que ouvi isso, mesmo considerando isso apenas como uma possibilidade, eu chorei igual uma criança de felicidade.

Logo depois muitos vieram ao meu encontro me apoiando, dizendo que eu tenho uma grande missão quando voltar pro Brasil, ajudar a fazer crescer ainda mais pra ser capaz de trazer a Keishu-sama pro Brasil novamente.

Nico, o reinosha que esteve conosco todo esse tempo veio pra mim e disse que deveríamos fixar uma meta e seguir atrás dessa meta. Mesmo que nós não façamos 100%, mesmo que seja apenas 60% a compaixão da Keishu-sama encherá os 40% restantes por nós. Mal acabou uma missão e começou outra!

Voltamos para nossos dormitórios e atendendo um convite do Ernest do Havaí fomos conhecer um restaurante de uns amigos dele que são reinoshas e eles se conhecem há mais de trinta anos. Comida ótima, foi ótimo conversar com nossos novos amigos de diferentes locais do mundo. Sem dúvida carregarei todas essas pessoas no meu coração pelo resto da minha vida.

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