sexta-feira, 30 de novembro de 2012

X - A Roda da Fortuna



2 de julho de 2000
11h45

"Al, preciso conversar com você, mas não tenho muito tempo. Essa linha é clandestina, se me pegarem falando com você vão me matar", era a voz da Victoire.

"Vicky? Onde você se meteu? Porque diabos você está presa? Que história é essa que você criou a arma de morte perfeita?"

"Calma. O que você ouviu é verdade, mas nem tudo o que eu disse era mentira. Essa identidade que eu tenho é mentira. Tudo o que eu fiz foi movida por uma grande vingança, porque eu achei a pessoa que matou a minha irmã. Foi por isso que eu entrei no ramo da biologia, para poder vingar essa pessoa".

"Por Deus, Victoire. Vingança não vai trazer sua irmã de volta. Por isso que você usou os recursos da fundação pra fazer isso? Quem diabos matou sua irmã? Eu posso ir atrás dele, se você quiser!", eu disse, empolgado e esbanjando justiça.

Foi aí que Victoire falou uma coisa. E eu fiquei sem palavras.

"Al, o meu sobrenome real é Blain. Meu nome é Victoire Blain, e sou a irmã mais nova de Émilie Blain".

"O quê?!".

"E não adianta ficar abismado. Eu sei que foi você quem matou a minha irmã! Você foi tudo o que eu pensei durante três anos. Três longos anos. E quando eu te encontrei eu vi que a minha vingança ia ser real. Sim, a Émilie. A pessoa que você mais odeia no mundo era minha irmã mais velha, e a única família que eu tive. E você a matou".

"Victoire, eu não ligo para o que você quer fazer comigo, mas eu NÃO matei sua irmã! Você deve ter injetado essa coisa em mim pra me matar, mas eu não posso morrer agora, eu ainda tenho um trabalho pra fazer!".

"Al, não foi apenas eu que tomou a decisão de te injetar as drogas para causar a Síndrome de Werner. Quem estava por detrás de tudo era a Francesc...".

A ligação foi cortada de súbito.


5 de julho de 2000
16h27

"Consegui. Está aqui dentro dessa mala. Agora vamos embora", a garota do cabelo lilás disse, indo na frente.

Na sala de vigilância tinha naquele momento todas as imagens ao vivo de todas as câmeras do prédio. Quando estava saindo vi uns clarões vindo de um dos monitores do topo. Num televisor ao lado vi Yuri, correndo e atirando, sendo alvejado por balas.

"Merda! Pegaram o Yuri! Temos que ajudá-lo!", eu gritei, "Ele está sendo alvejado!".

"Ele ficará bem, vamos logo... Ele é militar, teve treinamento pra isso. Se nós não sairmos daqui logo, nós é que vamos acabar sendo mortos", disse ela, com sua frieza aquariana sempre inabalável.

Na hora, vou ser sincero, não pensei. Enquanto ela ia me puxando pelo corredor, vi uma pistola parada no chão. Provavelmente de algum segurança nocauteado. Me soltei dela e peguei a pistola, e fui descendo as escadas rapidamente. Não olhei pra trás, Yuri estava em apuros, ele era meu amigo. Eu devia salvá-lo, não importasse como.

Estava com aquele instrumento gelado nas mãos. Nunca havia usado sequer. Somos da inteligência, não somos militares. Um cérebro não saberia como usar uma arma, isso é função dos braços. E quem trabalha pro governo sabe que sua função é quase como um corpo: todas as partes são vitais. Nem recarregar aquele treco eu sabia. Deve ser mais ou menos como nos filmes, não deve ter muito segredo, pensei eu.

Quando desci as escadas, estava a uns dez metros do Yuri. Ele estava se rastejando no chão, mas não tinha sinal de ninguém no momento. Droga, onde estava ela agora? Ouvi alguns passos se aproximando de Yuri. Um deles parecia um salto feminino. Eu estava com medo de olhar, mas percebi que o som do salto foi caminhando pra mais longe. Só ficou um outro barulho. Parecia um sapato comum.

"Yuri. Você foi ótimo até aqui. Sua missão está completa", disse a voz, rouca.

"Ah... Droga... Eu vou... Eu não quero... Morrer", disse Yuri, depois de alguns gemidos.

Nessa hora não resisti e olhei. O homem pisava na perna ferida de Yuri.

"Yuri, Yuri, Yuri...", a voz rouca novamente começou, "Então aqui está o seu presente. A pessoa que você procura é ninguém menos que o próprio Al. Ele é o irmão mais novo de Arch, Yuri. Ou devo te chamar... Mikael?".

Yuri era Mikael. Foi Mikael que há dez anos havia trabalhado ao lado do meu irmão mais velho. Foi o próprio Mikail que uma vez o chamou de "irmão". E foi o próprio Mikail que capturou Arch. A senhora Vittorio havia me enganado, mas na época eu nem me toquei disso. Era Yuri o traidor. E ele havia enganado não apenas Arch, mas havia me enganado também.

E agora, estava para ser morto. O homem da voz rouca retirou uma arma do seu sobretudo, e aponta para a cabeça de Yuri.

Nessas horas o tempo parece passar em câmera lenta. O homem estava pronto para matar Yuri. Encostei na parede, segurando aquela arma e meus olhos lacrimejaram. Eu não conseguia ver nada na minha frente. Como eu pude ser tão ingênuo?

Eu estive ao lado da pessoa que matou meu irmão sempre.

Eu o chamei de "amigo" e confiei nele.

Eu acreditei que ele era Yuri. Mas pelo visto tudo isso foi um jogo.

Meu Deus, ele vai matar um cara na minha frente! Que merda! Isso é insano!

"EI! PODE PARAR COM ISSO!", eu berrei, "Esse cara matou o meu irmão! Não vem querendo matar ele no meu lugar não!!"

O homem ficou parado na minha frente. Começou a recuar uns passos. Yuri caiu no chão, exausto. Fui me aproximando, apontando a arma pra ele, meus olhos marejados e tremia, tremia muito. Quando um filete de luz iluminou seu rosto eu vi quem era. Dietrich.

"Você...? Você tinha morrido!", eu disse, "Eu vi o seu corpo! Não é possível!".

Segundos depois vi vários homens vestindo preto adentrando o local aos gritos, lançando granadas de efeito moral, e toda aquela calmaria deu lugar a um verdadeiro clima de guerra. Uma equipe especial da SAS havia adentrado o recinto, prendendo Dietrich, levando Yuri para a ambulância e eu e Agatha para fora com segurança.

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