quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Doppelgänger - #11 - Memories in the rain.

"Ei garoto! Vamos, acorde!".

Uma voz grossa vinha do pequeno orifício da porta da prisão. Nezha começou a se recordar de Schwartzman, daquele aroma estranho, e de que a última coisa que se recordava era que tinha sido jogado ali. Mas nada daquilo fazia sentido.

"Seu equipamento está aqui fora. Você já está bem?"

"Alexei...? É você?".

"Vamos, tome isso. Injete isso na artéria do seu pescoço. Vai tirar a tontura".

Nezha pegou a seringa e injetou, apertando o botão. Uma dor muito forte tomou conta do seu corpo, e ele caiu no chão gemendo baixinho. Começou então a ter uma crise urinária, e fez xixi em todo o chão da cadeia.

"Heh... Isso é idade pra fazer xixi nas calças, garoto? Mas fique tranquilo, isso acelera o seu metabolismo, elimina todas as toxinas que você respirou via urina. É a saída mais rápida, daqui a pouco essa dor vai passar".

A dor foi passando para Nezha, que depois já sentia menos daquela dor no seu corpo inteiro. A tontura já havia passado magicamente, e pelo cheiro da urina, deu pra perceber que realmente estava muito intoxicado.

"Tive que usar sua ajuda, garoto. Dei uns tiros no Schwartzman, e depois de uns 15 minutos chegaram os caras que te levaram. Mas aquele cara não morreu, tá vivo ainda, mesmo depois de ter sido alvejado".

"Qui-quinze minutos? Pra mim tinha sido no momento que ele caiu que eu fui levado!", disse Nezha.

"Não. Schwartzman é um perito em tóxicos. Foi assim que ele conseguia estripar os guardas mesmo ainda vivos e lúcidos. Ele é um judeu maluco que os pais haviam sido usados por nazistas para seus experimentos vivos. Ele era uma criança, e quando escapou da prisão, viu o pai tendo seu corpo vivo aberto para os experimentos dos nazistas. Desde então ele tem se especializado em venenos e anestesias. Um mestre em dopar pessoas".

Nezha sentiu medo. Um medo terrível como nunca tinha sentido. Se não fosse Alexei, provavelmente ele estaria morto agora. Um judeu psicopata que dopa as pessoas para estripá-las vivas e lúcidas. E ela para ele ter sido também, sem dúvidas. Ele ouviu um clique e a porta da cela se abriu, com Alexei lançando seu equipamento.

"Deixei uma Desert Eagle aí com você. Ela faz muito barulho, então evite usá-la contra qualquer carinha. Tive que te usar para ganhar acesso a esse subsolo, mas felizmente nosso prêmio está apenas um andar abaixo, no quinto e último", disse Nezha.

"Quinto subsolo? Essa pessoa realmente tem uma prisão em cinco estrelas".

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A partir dali a comunicação via rádio era comprometida. Era Nezha e Alexei, e apenas os dois. Nezha se trocou e saiu da cela, seguindo Alexei de perto. Novamente o local estava ligeiramente deserto, com apenas alguns poucos guardas e as câmeras todas inexplicavelmente desligadas.

Uma placa em holandês indicava: "vijfde kelder". Quinto subsolo. Estavam perto.

Foi aí que algo explodiu.

A luz começou a piscar, e pó parecia vir do final do corredor.

"Garoto, siga em frente. Os guardas provavelmente virão para esse lado, quero que desça para o quinto subsolo e resgate logo nosso alvo!".

"Alexei, espere, por favor!".

Mas era tarde. Alexei já estava cruzando o corredor, e sons de tiros ecoavam pelo local. Não era hora de virar e voltar, Nezha continuou pois aquele era o objetivo da missão, e não proteger Alexei. Passando por diversos corredores como se fosse um labirinto encontrou a porta que buscava.

Porém havia uma mulher na frente da porta. Uma mulher de cabelos negros, pele branca e grandes olhos azuis. Era magra, e sua coluna estava curvada pra frente, como se fosse corcunda. Seus braços jogados pra frente junto com o corpo. Ela parecia estar esperando ali por um bom tempo.

"Quem é você? Se identifique, senão eu atiro!".

"Você não seria capaz de atirar em mim, Lucca."

Nezha tremeu. Aquele nome não era o dele, mas ele parecia ter uma conexão com ele. A mulher na frente ainda estava parada, na sua frente, quando uma terceira pessoa tocou o seu ombro. Ao virar o rosto, viu a mesma japonesa que havia distraído-o quando entrou na base.

"Lucca meu amor, depois de tanto tempo te reencontrei! Sou eu, Noriko! Não se lembra de mim?".

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