quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Doppelgänger - #12 - A hora da verdade.

Quem era aquela mulher? Toda vez que sentia o seu toque, algo no coração de Nezha palpitava. Aquele aroma, tudo aquilo era muito familiar, era como se já conhecesse aquela mulher que estava na sua frente, envolta por seus braços.

"Lucca, me beije. Fique comigo aqui, estamos felizes. Me diga, o que fizeram com você?", disse a mulher japonesa.

"Eu... Eu não sei. Porque eu sinto que te conheço de algum lugar?", perguntou Nezha.

"Lucca, fique comigo. Você é minha vida, e eu te amo. O que fizeram com você foi algum tipo de lavagem cerebral, te apagaram as memórias, mas eu estou bem aqui", ela apontou pro coração.

"Onde?"

"Estou no seu coração, sou uma presença na sua alma, por mais que tentem, não vão poder apagar as memórias, todo o tempo que vivemos juntos, todas as noites que passamos juntos abraçados, todas as emoções que compartilhamos".

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Fogo. Todo o local parecia ter sido palco de uma verdadeira guerra. Tudo estava engolido por uma atmosfera escura e alaranjada, e labaredas estavam queimando ao fundo. Seus olhos estavam abertos, e rapidamente Nezha viu que algo estava acontecendo.

Aquilo parecia um sonho lúcido. Mas quanto tempo passou? Ele se viu sentado, encostado na parede. Ao virar o rosto para entender onde estava, viu que ao seu lado ainda existia aquela mesma porta, apontando para o subsolo onde sua missão seria completada.

Sua visão antes turva foi voltando ao normal. Aquele zumbido estava passando, e ele estava começando a ouvir o alarme de incêndio ensurdecedor que estava tocando. Ao virar o rosto pro outro lado viu uma pessoa, aplicando uma chave de pescoço numa outra pessoa.

Havia muito sangue no chão. E a pessoa que aplicava a chave parecia ferida.

E então a pessoa que estava sendo estrangulada caiu no chão, inconsciente. Quando seus olhos focaram na escuridão ele viu, era aquela mulher de cabelos pretos e olhos escuros.

E o que aplicou a chave era ninguém menos que Alexei.

"Como está, garoto? Pelo visto ela te pegou. Essa é Sara, é uma psíquica húngara. Ela é capaz de induzir as pessoas a ilusões por meio da sua telecinese, e você foi um deles. Vamos, fique em pé, me ajude. Ela enfiou essa faca na minha perna, mas eu consigo andar ainda".

"Alexei... Desculpe. Não sei como tudo aconteceu. Mas vamos sim, precisamos ir em frente. Venha, eu não estou ferido, encoste-se em mim.", disse Nezha.

Os dois passaram pela porta, e por fim havia um pequeno corredor, com muitas celas individuais, e uma grande cela no final dela.

"A última. Vamos!", disse Alexei.

Nezha percebeu que Alexei levava uma grande caixa pesada nas costas. Devia ser algo muito importante, pois ele a todo momento ajeitava nas suas costas, com medo que a mesma caísse.

"Pegue as fitas explosivas. É o único jeito".

Vários gritos de guardas em holandês dominaram o local. Sem dúvida os guardas estavam chegando, e aos montes. O tempo era curto. Nezha posicionou as fitas explosivas e estava com o detonador pronto. O que encontraria depois daquela porta? Será que era uma pessoa tão temível assim? Um terrorista? O que significava todo aquele resgate, afinal de contas?

Nezha não pressionou o botão. Ao contrário disso, pegou a Desert Eagle e apontou pra testa de Alexei, que estava no chão, pressionando a ferida e falando com Victoire.

"Alexei. Tenho perguntas e quero respostas agora. Quero que me diga se uma pessoa chamada 'Lucca' significa algo pra você e no seu passado".

A Desert Eagle gelada na cabeça fez Alexei transpirar. Agora era a hora da verdade.

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