quarta-feira, 19 de março de 2014

Doppelgänger - #14 - ART DRAWN BY VOMIT.

12 de novembro

Hey Jesus, thank you for your pain...

Nezha estava acordando de um rápido cochilo. Aquela base era uma base temporária de Agatha, usada anteriormente para levar as armas e drogas do tráfico vindas do leste europeu para os países civilizados do oeste. Tudo era de ponta, parecia uma base que não tinha em nada devendo para as grandes de Langley, por exemplo. Tudo aquilo era subterrâneo, no meio da Holanda.

"Está liberado, Nezha. Daqui a alguns minutos todos se encontrarão no salão principal para as diretrizes da nova missão", disse o doutor.

"Obrigado. Antes, gostaria de encontrar com o Alexei. Sabe onde posso vê-lo?", questionou Nezha.

"Claro, por favor, me siga".

O doutor levou Nezha até uma sala descendo uma escada. Lá estava Alexei e uma mulher. Ele estava deitado e com sensores cardíacos no peito. As veias do seu braço estavam perfuradas, parecia um soro. Nezha ficou espiando pela janelinha da porta, e viu a mulher injetando um líquido amarelado no braço esquerdo de Alexei.

Foi aí que ele viu algo que o deixou aterrorizado.

As veias de Alexei pareciam saltar, e um grito enorme ecoou no corredor. A mulher, vestida com avental de médico parecia calma, parece que aquele efeito era esperado. Alexei, em dificuldades, emborcou seu corpo para o lado, ainda gritando de dor. Ele parecia dominado, dominado por um demônio. De súbito, começou a tossir com a cabeça virada para o chão, e as tosses começaram a sair com saliva, e momentos mais tarde, vomitou.

Um vômito de dor.

Nessa hora Nezha entrou. Sem dúvida Alexei estava sendo envenenado.

"Você! O que está fazendo com ele? Vamos!"

Nessa hora o vômito passou. Nezha ouviu bem baixinho vindo de Alexei: "Calma, calma". Os olhos de Alexei estavam vermelhos e lacrimejando, seu nariz estava expelindo um pouco de muco e sua boca, obviamente, suja por conta do vômito.

"Se você me soltar, posso explicar", disse a doutora, que foi solta por Nezha prontamente, "Eu sou Victoire, sou a responsável médica de nossa seção. Isso que injetei no Al era esperado. É uma droga para aliviar um pouco os efeitos do tratamento que estamos fazendo".

Então Alexei era Al mesmo. Mas porque simular a morte? Nada daquilo fazia sentido.

"Ah...", disse Al, limpando se rosto com um pano úmido,  "É a síndrome de Werner. Nezha, as células do meu corpo estão envelhecendo precocemente. Estou com cabelos brancos, e sou obrigado a usar protetores solar, mas minha pele está ficando manchada como a de um velho. Meus rins já estão quase incapazes de trabalhar, e meus órgãos internos são como os de uma pessoa de aproximadamente cinquenta anos".

"Vinte... Quase vinte anos na frente?", questionou Nezha.

"Sim. Por isso tenho dificuldades físicas em fazer muitos esforços. Esses medicamentos são para exatamente tentar retardar um pouco os efeitos".

"O efeito dessa última deve ser aterrorizante pra quem vê de longe, não é Nezha?", perguntou Victoire, "Essa droga que inseri nele é uma mistura de várias, foi criada cuidadosamente para frear os efeitos colaterais. O problema é que ela cria alguns anticorpos mais danosos, e havia muito perigo dele não sobreviver depois dessa injeção. Al estava entrando em um estado de severa apoptose".

"Apoptose?", perguntou Nezha.

"Células cometerem suicídio. É um tratamento experimental, temos que matar células velhas, uma vez que as células do Al estão envelhecendo. E isso é uma forma também de evitar que elas evoluam e entrem em metástase. Estamos colocando muitas células de crescimento no Al para criar novas células no lugar das antigas. O problema é que é difícil saber onde ocorrerá a apoptose. Nesse caso, a apoptose foi no..."

"...Coração", respondeu Al, quase sem ar.

Um princípio de infarto. Mas parece que o deus da morte não gosta muito de Al. Aquele que desde o começo da vida sempre sobreviveu, havia sobrevivido a mais uma. Aquela morte que foi simulada, agora se tornaria uma morte verdadeira.

Al estava colocando sua camisa e se dirigindo a porta. Ao cruzar a porta, Nezha o puxou pelo braço.

"Então você é o lendário Al mesmo. Eu não sei descrever a honra de trabalhar com você".

"Guarde os elogios pra sua namorada, garoto. Esse papo de lenda é uma bosta. Depois que você morre, já era, ninguém nem vai levar flores pra você. Eu tive foi sorte, teve muita gente melhor que eu que hoje estão mortas", respondeu Al, ríspido.

"Mas e eu? O que aquilo tudo significava? Porque aquela mulher falou que eu passei por uma lavagem cerebral? E quem era aquela japonesa?", perguntou Nezha.

Naquela hora, Al se virou pra frente de Nezha e acendeu um cigarro. Nezha parecia aguardar a resposta, e não entendeu aquela pausa imensa.

"Nezha, quem é você, só depende de você. Suas lembranças que te definem. Se você não se lembra, porque quer saber? Essa resposta só você pode buscar".

Naquele momento a luz se apagou. Tudo ficou escuro. Al na hora agarrou Victoire, abraçando-a, e agachando. A voz de Agatha ecoava pelo corredor: "É a Epsilon Force! Fujam todos!".

Um som de explosão foi ouvido vindo da entrada. Com tudo escuro, Al só conseguia pensar uma coisa:

"Merda...!".

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