segunda-feira, 7 de abril de 2014

Doppelgänger - #16 - Pra precisar da minha ajuda, a coisa deve estar feia.

21 de novembro de 2012

Foi um período de descanso. Umas férias de alguns dias. Al estava meio receoso. No catálogo de procurados pela Interpol mostrava sua foto com um dos seus nomes falsos. Al resolveu descansar um pouco na casa de amigos, porém eles o conheciam com um nome e nacionalidade diferentes. No documento, seu nome era Allan Frost, americano, de Illinois.

Porém a expectativa de ter noticias sobre Agatha e Victoire era maior. Usando a internet em Amsterdam ele conseguiu contactar "n". Porém, o local que havia escolhido para o encontro era um tanto... Inusitado.

O mundialmente conhecido Distrito das Luzes Vermelhas, onde garotas de programa são exibidas em vitrine, atraindo jovens cheios de hormônios, e causando muita surpresa nas vovós que passam por ali. Querendo ou não, aquilo ainda era um ponto turístico famoso mundialmente. A orientação era simples, buscar uma garota de programa loira com biquíni dourado. Uma combinação aparentemente comum naquela região, mas depois de muita procura enfim a encontrou.

"Vim atrás do 'n'", disse Al, com a garota prontamente abrindo uma porta secreta atrás dela, caindo numa sala de reunião onde "n" já o esperava.

"Pontual como britânicos, Sir Al. Você é mesmo muito clichê", disse "n" enquanto se virava, sentado numa cadeira executiva, "Pra você precisar da minha ajuda realmente a coisa deve estar feia".

"Pft... Cala a boca, 'n'. Pela quantidade de favores que você me deve, você deveria era ficar quieto sem fazer um comentário desses", disse Al.

"n" levantou-se e foi em direção de uma pequena mesa redonda que tinha uma pasta cheia de documentos. Aquilo realmente parecia informação quente. Por se tratar de um país europeu, investigar a Legatus era algo essencial. Porém, naquele país especificamente, o ideal mesmo seria pedir ajuda de "n".

"O que está fazendo agora?", perguntou Al, com um tom irônico, "Por acaso virou cafetão?".

"Não. Estou investigando tráfico internacional de mulheres aqui em Amsterdam. Isso queima muito a imagem do governo, chamando garotas pobres e bonitas do leste europeu pra trabalharem num ponto de prostituição reconhecido mundialmente. Foi mais fácil que pensava, e estou negociando ainda com o governo o pagamento dos meus serviços. Esses holandeses tem muita grana, vou sugar um pouco deles, gastei muito esses tempos".

"Ótimo. Preciso dos documentos aí", disse Al, indo buscar a pasta, quando "n" colocou a mão em cima, impedindo-o.

"Pera lá, Al", iniciou "n", "Você caiu muito de nível por ser quem você é. Afinal, quem você pensa que pode enganar nessa brincadeira? Tá na cara que o Ar foi solto da prisão por uma ordem sua. Porque você foi soltar um cara perigoso como ele por aí?", disse "n".

"É um passo pra trás para dar dois pra frente. Só não imaginava que a Interpol nos colocaria como Disavowed. Mas isso não vai impedir o que tenho que fazer".

"Como assim, Al?", disse "n".

"Tenho uma missão a cumprir, agora vamos, me dê esses papéis", disse Al, que foi tentar puxar a pasta de "n". Porém na hora, "n" pegou a pasta, segurou-a junto ao seu corpo, e depois apontou a mesma para uma lareira. Al na hora parou, sem acreditar no que estava vendo.

"Confrontar o Ar é mexer no seu passado, Al. Justo você que sempre foi fraco com esse assunto. Esse é o seu maior problema, Al. Esconde quem você é para todas as pessoas. Queria saber o que fariam quando descobrirem a verdade. Veste uma máscara de ser alguém pacato, mas só quem viveu contigo sabe com que tipo de pessoas você andava", disse "n".

Al ficou mudo, olhando fixamente para "n".

"Você mente pra você mesmo. Quando vai entender que a vida que você leva, seja onde for - e isso também não me diz respeito -  é uma vida falsa e vazia? Isso me enoja, Al. Além do mais, esse é o seu verdadeiro 'eu'. Essa pessoa séria e introspectiva. Uma pessoa extrovertida é apenas uma máscara que você colocou pra parecer mais legal, mas quem te conhece mesmo como eu sabe que no fundo você é uma pessoa extremamente séria e chata - algo que você sempre repudiou dentro de você mesmo e nunca aceitou", disse "n".

"n" pegou a pasta, abriu, deu uma rápida folheada e tirou uma foto de Ar. Ele era idêntico ao Al, só que tinha a cabeça raspada e não usava barba.

"Seu passado é a sua maior ferida. Você é uma pessoa sozinha nesse mundo, Al. Não tem família, não tem amigos, não tem namorada, não tem ninguém. Se você morrer amanhã, dificilmente alguém irá no seu enterro, pois é isso que você faz. Fugir. Você só encara o que lhe é cômodo. Não gosta de depender da ajuda de ninguém, e agora quer confrontar esse garoto, que é o elo mais forte que você tem com o seu irmão mais velho".

"Irmãos de sangue", disse Al.

"Irmão porque você quis! Aposto que nem mesmo as pessoas que trabalham com você sabe a verdade que eu descobri apenas mexendo uns pauzinhos".

Al olhou pra "n", atônico. Depois o próprio "n" concluiu:

"Achou que poderia esconder isso de mim até quando? Sim. Arthur Blain, codinome Ar, é na verdade seu sobrinho", revelou "n", deixando Al abismado na velocidade que "n" descobrira a verdade que ele escondia até então.

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