sábado, 20 de dezembro de 2014

Eliminem esse sentimento do meu coração.

Budas, por favor, eliminem esse sentimento do meu coração.

Esse foi o "mantra" que eu mais recitei hoje. Na verdade, esse "mantra" vem sendo o meu maior pedido aos budas. Engraçado como o tempo passa, e quanto mais tento repreender isso, pior a coisa parece evoluir.

Budas, por favor, eliminem esse sentimento do meu coração.

Esse sentimento é errado. Eu tenho plena consciência que isso só faz mal pra mim. Tenho plena consciência que nunca você vai voltar atrás no que disse, e aceitar meus sentimentos. Não, isso está fora de cogitação. Eu nem deveria pensar nisso. Menos ainda me apegar numa esperança infundada.

Budas, por favor, eliminem esse sentimento do meu coração.

Eu digo que você sempre foge das coisas da vida, e você vivia dizendo que se eu criticava isso nos outros era porque eu fazia igual. E, de fato, quem sou eu pra falar algo? Fugi do sentimento que senti por você por todos esses cinco anos. Menti pra mim mesmo negando o sentimento. Menti pra você dizendo que jamais ficaria com você sob hipótese nenhuma.

Embora nunca tivéssemos tido nada - e eu, lacrando esse sentimento no fundo do meu coração - buscava em outros aromas o seu perfume. Mas nenhuma mulher nesses anos me faziam sentir o que eu sentia do seu lado.

Mas cara, isso é errado! Ninguém do meu lado me faria sentir como sinto quando você está do meu lado. Era uma busca que nunca ia me levar a lugar nenhum.

Budas, por favor, eliminem esse sentimento do meu coração.

E, por mais que eu pedisse para eliminarem, acho que não tive meditação o suficiente. Meu coração é fraco, e ele está nesse momento me mandando o treinamento mais forte - acabar com esse sentimento que tenho por você. Porque isso, coração? Não percebe que nutrir esse sentimento é errado, que apenas vai me levar para onde sei que vai terminar. Nada vai mudar, ela vai conseguir encontrar alguém, é bonita, jovem, uma ótima pessoa. E eu vou ficar aqui até quando? Porque insiste? Quando peço para que você a esqueça, que não pense nela, que não se preocupe com ela, que não peça desculpas pra ela, que não a perdoe, você vai lá e... Amolece.

Isso é uma fé inabalável? Onde está sua racionalidade? Eu sou um fraco, e novamente estou cavando minha própria cova pois simplesmente não consigo ter o controle dos meus sentimentos. Não consigo te esquecer, não consigo deixar de pensar em você, não consigo deixar de orar por você, não consigo.

E sua resposta já foi dada. Foi "não". Mas meu coração ficará nessa guerra do racional contra o emocional até quando? Isso dói.

Gostaria de pegar na sua mão. Gostaria de te dar um abraço apertado. Gostaria de te dar um beijo.

Por um momento queria que fosse como Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças. Queria ter uma máquina daquelas, e apagar você da minha mente. Ó querida, ó querida, ó querida Clementina.

Apagar você da minha mente de uma vez, Clementina. Assim, seria tudo muito mais fácil.

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Eu tive um sonho com você, no dia em que sentei no assento de elevação agora, em novembro.

No sonho, a gente tava num lugar, com uma luz meio na penumbra, tudo meio alaranjado, várias caixas dispostas, e você aparecia. Tinha muita gente nessa sala, e você disse que queria fazer um anúncio.

"Gente, eu quero apresentar o Marco (ou Vagner, não lembro ao certo o nome), meu namorado!".

No sonho o coração começou a doer. Me deu uma agonia, e acordei assustado.

Na hora eu pensei: Minha nossa, isso foi um sonho?!

Mas depois eu coloquei a mão nos olhos e chorei. Chorava, chorava, chorava. E já passava das três da madrugada. Me senti tão mal, tão mal, que foi difícil pegar no sono depois.

No sonho eu lembro do rosto dele.

Era um cara alto, mas não tão alto como eu. Ele tinha uma barba meio rala, um rosto triangular e bonito, olhos azuis e um cabelo espetado, loiro escuro. Ele era rico também. Eu quando bati o olho nele eu sabia, ele seria o amor da sua vida. Que vocês nunca terminariam, seriam felizes para sempre. Foi de surpresa seu anúncio nesse sonho, o susto fez meu coração disparar pois eu sabia que aquela esperança era errada, o sentimento por você era um erro desde o começo. E aquilo era apenas a prova daquilo que eu teimo em não aprender.

Ó querida, ó querida, ó querida Clementina...

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Estava falando sobre essa situação com uma amiga muito querida.

Disse que estava fazendo de tudo, pedindo pros budas ajuda, tentando reprimir esse sentimento. Jogar essa doença para um cantinho do coração, mas infelizmente, deixei o coração de infectar com isso. Agora é tarde, e nenhum antibiótico ajuda.

O que ela me respondeu foi algo muito bonito: Amor não se elimina. Se vive ao máximo, até que não se tenha forças pra não mais fazer. Amor não correspondido só se multiplica quando reprimido, porque quando é verdadeiro, resiste, persiste. Amor, qualquer um que seja, tem que ser vivido até o fim. Ele não se elimina porque se reprime, mas porque se esgota.

Então isso que sinto é... Verdadeiro? Mas do que adianta? Pra ela eu continuo sendo um grude nojento, derretido de amor, que não é correspondido. E jamais será. Ela precisa desse "Marco (ou Vagner)" do sonho. Ela não precisa de um cara como eu, que tem nada a oferecer.

Já se passou quase meio ano desde que me declarei pra ti naquela mesa na praça de alimentação. E o idiota aqui continua nutrindo falsas esperanças.

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