quarta-feira, 29 de julho de 2015

Doppelgänger - #90 - O último dos Doe.

Al ainda estava sem palavras. Francesca Vittorio era a última pessoa que ele queria encontrar naquele momento. Tudo parecia correr como um filme na sua cabeça. Um dos seus maiores fantasmas novamente batendo na porta.

Foi ela quem foi minha chefe, e no fundo ela que esteve por detrás de manipular Victoire para me injetar o vírus. Também foi toda uma conspiração dela para fazer com que eu brigasse com a minha falecida esposa. E também foi ela quem estava me dando as ordens para ir atrás da Dawn of Souls há anos atrás. Ela havia sumido, mas eu achei muito suspeito... Ela estava viva então?, pensou Al.

Vittorio se aproximou de Al. Ele permanecia mudo.

"Quanto tempo, Al. Você está mais acabado que eu!", comentou Vittorio.

"Pelo visto vocês se conhecem mesmo", disse Andrada.

"E você, Natalya! Quanto tempo não te vejo. E o seu filho retardado? Fiquei sabendo que você se aposentou pra cuidar dele", disse Vittorio, provocando Briegel.

Embora Natalya Briegel fosse uma pessoa controlada, quando citavam seu filho deficiente ela ficava muito enfurecida. E talvez ela com uma arma na mão não seria exatamente a melhor pessoa a ser provocada.

Briegel correu em direção de Francesca Vittorio e disparou contra ela, que deu um passo pro lado antes e a bala passou raspando na sua roupa. Quando Briegel deu um segundo tiro Vittorio virou de lado, deixou o braço dela passar e aplicou um golpe no estilo Close Quarters Combat, batendo firme no braço de Briegel e fazendo a arma dela cair.

Porém, o som dos tiros haviam alertado os policiais ali próximos.

"Você sempre foi muito boa, mas não aguentava ser provocada, não é Briegel?", disse Vittorio, segurando firmemente o braço e imbolizando Briegel, "Agora eu tenho seu braço comigo. Se eu quiser, posso quebrá-lo! E deixar você aqui, esperando a polícia".

"Sua idiota...", disse Briegel, virando o rosto para Al, "Eu vou segurar ela aqui. Pegue o Andrada e torture ele até arrancar o último fio de informação!".

Al como que desperto por um transe segurou Andrada pelo braço e o levou para fora de lá, puxando enquanto ambos corriam pelo parque. O barulho dos tiros haviam chamado atenção para lá, e enquanto Al corria segurando Andrada viu os policiais indo até o local onde estavam Natalya Briegel e Francesca Vittorio.

Al puxou Andrada para perto de uma entrada do Zoológico de Londres, no Regent's Park, que estava fechado naquele novembro de 2012. Era o melhor lugar para ter uma conversa.

Antes mesmo de perguntar algo Al desferiu um potente soco na mandíbula de John Doe. O brasileiro gritou de dor.

"É bom que você consiga falar depois disso. Eu quero informações sobre o Chrysalis, e quero agora", disse Al.

"Seu idiota, acha que vai conseguir arrancar algo de mim assim?", disse Andrada, cuspindo sangue em Al. Ele aproveitou a distração e começou a correr.

Foi aí que mais um tiro foi ouvido. Foi direto no joelho de Andrada. Na lata.

"Acho que temos uns... Setenta segundos", disse Al, se aproximando rapidamente de Andrada, que caiu no chão gemendo de dor, "Quem disse que eu não estava armado? Você deduziu por você mesmo. Não gosto de usar armas de fogo, mas não quer dizer que eu não as saiba usar. E um tiro no joelho dói. É a parte no corpo que mais dói. Especialmente se eu pressionar, assim".

E depois de dizer isso, com Andrada no chão, Al deu um pisão no joelho dele. O homem gritava de dor de virar os olhos.

"Quarenta segundos, Andrada. Onde será a próxima reunião do Chrysalis?", perguntou Al.

Andrada continuava gemendo de dor.

"O próximo tiro será na sua testa", disse Al.

Andrada resolveu falar.

"Essa noite, na Crush Room na Casa de Opera Real (Royal Opera House) em Covent Garden. Umas 21h", disse Andrada.

"Certo. Sinto convicção na sua fala. Mas eu quero mais. Onde está a Dawn of Souls?", perguntou Al.

"Eu... Eu não sei! Eu juro!!", disse Andrada.

Al deu uma coronada na cabeça de Andrada. Por sorte ele não caiu inconsciente.

"Claro que você sabe. Você tem contato direto com o Ar. Você sabe até onde que é a base dele", disse Al.

"Por favor, me deixa ir, meu joelho está doendo!!", disse Andrada.

"Eu preciso de localizações, Andrada. Quero endereços!", disse Al, elevando a voz.

"Ele sempre me vendava quando eu visitava ele pessoalmente, eu nunca vi onde era o local, mas eu tinha o contato direto na central dele. Está no meu celular! Meu escritório fica na região das Docas de Londres, tem o endereço aí também. O pin pra desbloquear é 1234", disse Andrada.

Que senha imbecil, pensou Al.

"A Dawn of Souls está protegida por um super computador inteligente. Existem apenas duas chaves para destravá-lo e uma delas está comigo, no meu escritório, na gaveta da esquerda. Essa noite será a última reunião da Chrysalis antes da insurreição de amanhã. Bolsas do mundo inteiro vão entrar em colapso, pois o Legatus vai comprar diversas ações por meio dos seus agentes e vão deixar as ações com preço de ouro, mandando as pessoas irem todas ao mesmo tempo retirar saldos das suas ações. É como a Queda da Bolsa de 1929. Só que em escala global", disse Andrada.

Al ficou abismado.

"A Crise de 2008 foi apenas o aquecimento do Ar. Agora em 2012 ele vai mostrar que realmente tem o sistema econômico nas suas mãos. Líderes previamente orientados por ele tomarão todos os lugares de liderança em todos os maiores postos do mundo - especialmente os que não falirem. E todos eles serão submissos ao Ar. O mundo enfim fará as vontade dele, e nenhum de nós estará a salvo. Em um ano o mundo não será o mesmo. Países falirão, o povo nas ruas farão protestos, grupos rebeldes tomarão o poder, e se não se alinharem com o Ar, ele os tirará do poder. Todos os agentes serão revelados, pessoas serão caçadas, guerras eclodirão e ninguém poderá fazer nada. Pois todos estarão buscando roer os resquícios da carne que estão no osso", disse Andrada.

"Preciso de documentos sobre isso", disse Al.

"Eu tenho acesso pleno ao Legatus. No meu escritório tem as chaves de acesso. Dá pra ver pela internet", disse Andrada.

"Ótimo", disse Al, concluindo.

Al o pegou com violência o jogou numa piscina desativada do zoológico. Provavelmente era onde ficavam alguns felinos, no fosso de proteção para os visitantes. A água fedia, encardindo seu caríssimo terno.

"Com sorte também você não manque muito quando conseguir andar. Vai gritando aí, talvez alguém te ouça. Sorte sua que não tem nenhum bicho aí", disse Al, deixando Andrada lá e indo ao encontro de Vittorio e Briegel.

- - - - -

Al chegou discretamente e viu os policiais no local onde eles haviam encontrado Vittorio. Mas não havia ninguém lá. Nem Briegel, menos ainda Vittorio.

"E aí, conseguiu alguma coisa?", disse Briegel, atrás de Al.

"Ah, você tá aí", disse Al, se virando pra Briegel, "Consegui sim. O Chrysalis vai se reunir hoje ás 21h. É minha chance de pegar informações e levar pro nosso amigo Frost. E você? Cadê a Vittorio?".

Briegel suspirou.

"Uma velha enferrujada. Mas eu tô bem velha também", disse Briegel, "Mas acabou me distraindo e fugiu. Fiquei tão impressionado quanto você quando vi a Vittorio viva".

"O Ar é o que une todos. Se conseguirmos parar ele, conseguiremos quebrar toda a corrente, por mais que tenha elos fortes, como a Francesca Vittorio", disse Al, ligando no seu celular para Neige.

"Neige, quero que dê um jeito do Ar revelar sua localização. Mas tente fazer com que ele não suspeite que você deixou de propósito. Diga pra Victoire que eu me unirei a vocês em breve. Eu tenho um plano. O código é 609C. Obrigado", disse Al, terminando a ligação.

"Código?", perguntou Briegel.

"São instruções que eu passo pro Neige. Só eu e ele sabemos. Fique tranquila", disse Al.

- - - - -

Vinte minutos depois de se atolar na lama da fossa no zoo, Andrada ainda gemia de dores. Provavelmente aquela ferida iria infeccionar e dar muito problema se ele não corresse logo. Mas provavelmente ele não teria pra onde correr de qualquer forma.

Ai, como dói isso! Esse Al, maldito, quando eu sair daqui vou matar ele!, pensou Andrada.

Ele apenas sentiu algo na garganta. Um dos agentes camuflados de Ar apareceu e lhe cortou a garganta. Ele sequer percebeu alguma coisa.

O último dos Doe estava morto.

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