terça-feira, 11 de agosto de 2015

A fantasma da Frustração.


O que dizer de uma pessoa que você desde o começo sempre amou profundamente, passou anos mentindo pra si mesmo, até que um dia resolve que deve enfrentar isso e se declarar pra essa garota mesmo sabendo do resultado e no final nada dar certo?

Acontece.

Mas esse é um daqueles casos que eventualmente temos que ficar tranquilos. É óbvio que me machucou muito quando ouvia julgamentos como: "Você está confundindo as coisas". Eu não tiro o direito dela. Ela sempre esteve presente quando eu dizia que tinha interesse em outras garotas. É óbvio que ela só iria pensar que eu era um cafageste. O que ela não sabia é que eu tentava forçar me apaixonar por outras garotas pra fugir dela a todo custo. Mas sempre que eu levava um fora de outras garotas, aquele sentimento camuflado, no fundo do coração, voltava.

Mas o mais irônico disso tudo é que mesmo que não terminássemos juntos, eu ainda conheceria o amor. Isso então não faria sentido algum pra mim.

Desde fevereiro, a última vez que conversamos, já passaram seis meses. Mas dentro de mim parece que passaram seis anos. Viver cada dia desde então foi uma vitória. Como viver com uma pessoa longe dos olhos e dentro do coração? É impossível colocar num post todo o turbilhão de emoções que eu senti (e ainda sinto) nesses longos meses. O jeito de tentar esquecer ela de vez seria deixar de falar com ela. Mas como fazer isso se nós frequentamos os mesmos locais?

Eu sempre disse pra ela que eu sempre a amei. E amo mesmo, do fundo do coração. Não é paixão, aquele sentimento de posse. Se ela fosse ser triste do meu lado, eu jamais iria querer que ela ficasse comigo. Nesses longos seis meses de distância - não converso mais com ela, e ela até me cortou da lista de "amigos" dela, com toda a razão - eu sofri calúnias, sofri visões invertidas, sofri por pessoas me dizendo que eu era um idiota, e até mesmo sofri com pessoas que ficaram com raiva dela, dizendo que ela era uma vaca (e coisas piores).

E depois essa pessoa me xingava de volta dizendo que eu era um idiota por mesmo assim defendê-la quando pensavam coisas ruins dela. Mas só falei sobre ela pra umas três pessoas muito próximas de mim. Pelo menos da minha boca pouquíssima gente sabe. Fiz isso para protegê-la.

Se o que eu sentia por ela era um amor sincero, porque diabos eu ia querer o mal pra ela? Por mais que ela pisasse em mim, por mais que ela escrevesse coisas que eu passasse dias inteiros chorando, por mais que eu soubesse que ela estava saindo com outros caras, por mais que eu vivesse nesse eterna agonia, implorando aos budas que me permitissem... Viver.

Acho que a maior dor é essa dor dilacerante por dentro. Não é um frio na barriga, é uma geleira inteira. É uma vontade de cair no chão desmaiado, ou bater a cabeça e acordar como se tudo isso fosse um pesadelo. É esse desespero de ao mesmo tempo jogar tudo pro alto, ou tentar continuar em frente, mesmo que seja pouquinho.

Nesse meio tempo me colocava em várias situações. A primeira situação é se ela enfim conseguisse ter um namorado:

Por um lado eu sentiria uma dor indescritível. Se muitas vezes ao deixar o local que nós frequentamos eu subia aquela rua chorando pedindo pra deixar de sentir isso, resolvi mudar pra um sentimento de aceitação. Ela deve ser feliz. E deve ser feliz com quem ela quiser. E eu tenho que ficar feliz com a felicidade ela. Eu sou o Ross, ela é a Rachel, é impossível ela olhar pra um nerd babão, bobo e sentimental. Então comecei a colocar lentamente o sentimento de aceitação dentro de mim.

Sei que ela sai bastante com amigos, e sei que ela se apaixona muito fácil, assim como eu. Por mais que no meu peito, meu coração estaria estraçalhado em ver ela com outro, por outro lado eu tenho que ser forte, e aceitar que é ela quem diz com quem ela vai ser feliz, e não eu. Eu apenas tentei, e não deu certo. Tenho que desejar o bem pra ela, pois nunca foi um sentimento falho. Esse amor é esse sentimento imenso de querer ver ela feliz acima de tudo!

A segunda situação seria de ser pisado por várias coisas que seriam levantadas, ditas ou pensadas por ela contra mim.

Uma ponte pode unir um lugar com o outro. Mas não se esqueça que para as pessoas passarem para o outro lado da ponte, as pessoas têm que pisar na ponte. Tive que me livrar de qualquer forma de apego a mim mesmo, e aceitar ser pisado por ela. Quantas e quantas vezes eles agitaram passeios e eu não pude ir pois mal tinha um trocado pra almoçar? É claro que eu gostaria, mas isso tudo foi um imenso esforço de minha parte para continuar orando bastante e pedindo aos budas para que nunca deixassem faltar nada para que ela pudesse ser feliz, e incentivo muito que ela continue com todos os passeios dela, pois eu quero ver ela feliz. Mesmo que na minha cabeça eu imagine que sempre está rolando um encontro romântico com alguma pessoa, e isso me deixe com aquele sentimento de estar triste, frustrado e tudo mais.

Que ela não passasse aperto, e todo aperto que eu sofreria no lugar dela, e eu entenderia como uma forma de eu passar por isso para que ela fosse feliz. A mesma coisa podemos dizer sobre eu não falar mais com ela. Eu não falo com ela pois não quero correr o risco de nutrir uma intimidade novamente e com ela vir o que mais temo: esperanças. Não posso me declarar mais uma terceira vez, pois a primeira e a segunda vezes nos machucou muito. Se eu tenho que viver longe dela, é um sacríficio que eu faço pelo próprio bem dela. Para que ela consiga fazer as coisas dela, para que ela tenha seus amigos, seus namorados, seus passeios e até encontre um amor pra ela. Não posso ficar empatando. Minha missão é de apoiar de longe.

O que dizer essa angústia, dessa vontade de ficar junto dela? É péssimo. Antigamente eu era feliz só dela sentar do meu lado. Hoje eu sempre a vejo longe, distante, e sei que talvez em alguns momentos ela faça isso pra me proteger de alguma forma também. Mas ela não sente nada por mim. Uma tarefa que sempre foi difícil pra mim (e se você lê esse blog viu meus outros fantasmas) era saber conviver pacificamente depois do fora, sem atacar a pessoa. Afinal, depois do fora nós nos sentimos um lixo de seres humanos, não queremos nada com nada, e já que perdemos tudo não nos importaria perder o resto.

Mas eu sempre mantive uma meditação muito forte de querer o bem dela. Mesmo que eu tivesse que sacrificar todo aquele convívio bom que tínhamos. Mesmo que eu sentisse saudade de conversar com ela, e ter ela como a pessoa importante que era pra mim antes. Pois o amor que eu sinto por essa pessoa sempre foi algo verdadeiro e eu jamais negaria um sacrifício para que ela pudesse ser feliz. Nunca.

E a terceira situação seria o futuro.

Dizem que paixão dura meses. Mas parece que quanto mais tempo passa, mais eu sofro, e mais o sentimento aumenta. Quanto mais a luz fica forte, mais a sombra fica forte também. Quanto mais nutro um amor sincero por ela, mais o outro lado floresce, e eu sofro muito. Embora esse sofrimento eu sei que é como se eu suportasse todas as chibatadas pra proteger ela, é difícil imaginar o futuro assim. Se isso vai terminar, ou até onde eu conseguirei aguentar.

Será que uma pessoa comum, vivendo e sentindo isso que sinto, já não teria jogado a toalha? Certamente sim. A maior dor de viver com essa dor dentro da gente, por mais que saibamos que estamos fazendo isso com todo o amor do mundo pra proteger a outra pessoa, é que nunca sabemos como e quando terminará. Óbvio que eu não tenho esperanças nenhuma dela ficar comigo. E depois de tudo isso que eu fiz (e eu fiz muita merda) eu teria uma vergonha imensa se hipoteticamente ela ainda tivesse um sentimento amoroso por mim. Nesse momento, por vergonha de tudo o que eu fiz e disse pra ela, eu não conseguiria aceitar os sentimentos dela, isso é, se existissem. Mas isso está descartado, pois ela não sente nada por mim. E jamais sentirá.

Mas o sentimento vem aumentando cada vez mais, e muitas vezes chego novamente em um beco sem saída, pois os caminhos vão ficando cada vez mais e mais difíceis. Pesadelos se tornaram mais comuns, a dor no peito já é praticamente uma rotina, a angústia de ter que enfrentar isso de frente e me manter longe dela, a saudade que sempre bate na porta, a incapacidade de fazer algo sabendo que o coração por ela ainda bate forte, e o julgamento que eu faço contra mim mesmo condenando isso. Isso sem contar as garotas que eu tento arranjar pra fugir dela, mas parece que tudo conspira contra, até mesmo que tenho o desejo sincero de encontrar outra garota pra fugir e enterrar ela de vez no meu coração. Simplesmente nada dá certo.

Muitas vezes olho pra cima e me pergunto se os Budas têm dó de mim. São meses sofrendo, e eu não aguento mais. Sei que extrapolei meu limite há muito tempo, e cada vez mais por mais que tente acalmar o meu coração, eu não consigo. Eu quero que ela seja feliz. Eu não ligo do que vai acontecer comigo. Esse sentimento todo é algo sincero que eu faço para proteger ela, pois eu quero que ela seja feliz! Eu quero que ela encontre alguém, eu quero que ela consiga enfim superar os medos e os receios que ela deve superar. Eu quero que ela termine a faculdade dela. Eu quero que ela tenha ao lado alguém que ela realmente ame de todo o coração.

Será que esses desejos já não são sinceros o suficientes para que eu não precise carregar todo esse fardo que eu devo carregar?

Será que ela vai continuar como um fantasma, com a presença dela me rodeando e eu lutando com essa ambiguidade dentro de mim, de uma pessoa que quer ela seja feliz ao mesmo tempo que eu nutro um sentimento por ela maior que eu mesmo que me coloca em luta contra mim mesmo?

Se eu tivesse uma máquina do tempo, roubaria de Marty McFly e voltaria meses atrás e me convenceria de todas as formas do mundo a fazer absolutamente nada. De deixar daquele jeito, pois me declarar e expor os sentimentos pra ela foi a maior burrice que eu fiz na minha vida. Arruinei uma amizade, companheirismo, e tudo o de bom que eu sentia por ela para hoje viver com um fantasma. E eu me arrependo completamente, dia após dia, pois tudo isso que passamos de sofrer calado todas as humilhações, desespero, angústia e frustração é de nos matar de pouquinho em pouquinho a cada dia. Frustração em doses homeopáticas.

Mesmo se pudesse voltar no passado, sei que eu não conseguiria me convencer de não me declarar pra ela. Eu me conheço e sei da esperanças e sei o quão sincero era esse sentimento por ela. Por mais que eu esteja horrível e no meio de uma crise de depressão profunda atualmente, sei que ter a resposta dela - por mais dura que fosse - me deixa dormir tranquilo pensando que eu fui corajoso em me declarar e de não ter fugido como fiz com várias outras.

E cada dia piora. E a gente entra em depressão. As dores pioram a cada dia, e nós não conseguimos ver um futuro na nossa frente, exceto muita dor, angústia, e sofrimento.

E continuar do fundo do coração, torcendo para que essa pessoa enfim seja feliz. Pois no fundo, no fundo, o que sempre me moveu foi ver ela esbanjando aquele sorriso lindo dela, e ela junto de outra pessoa felizes para sempre. Mesmo que o custo disso tudo seja minha própria vida.

Uma vez ela me disse: "E se eu disser que eu tenho namorado, você vai me deixar em paz?". E eu disse pra ela: "Eu não ligo de você ter um namorado. E eu tenho certeza que nenhum homem nesse mundo vai te amar do jeito que eu te amo". Talvez um dia, daqui a alguns anos, talvez ela, mais madura, olhe pra trás e veja que se teve uma pessoa que a amou mesmo com todas as forças, que a apoiou, que esteve do lado dela, que a defendeu e que por mais que estivesse muito mal sempre orava e fazia mil sacrifícios para que ela fosse feliz, para que ela saísse para comer os hambúrgueres dela, para que ela mantivesse os círculos de amizade e que ela continuasse mostrando esse jeito único e apaixonante dela pros outros fui... Eu.

E esses sacríficios sempre valerão a pena quando mesmo que eu não possa ver o sorriso dela, eu saiba que ela está oferecendo aquele sorriso dela pra outra pessoa.

Talvez um dia ela entenda esses sacrifícios. Absolutamente tudo o que sacrifiquei terá valido a pena quando enfim vê-la... Feliz.

E hoje?
Fico feliz em ver que ela está cada vez mais saindo, que não está passando nenhum aperto, que sua família parece enfim estar estável e que mais do que nunca está se dando muito bem no seu trabalho. Sinto muito mal quando ela tenta vir conversar comigo, fazer algo que me faça rir, e eu me seguro pra não demonstrar nada. Sei que ela tenta, e sei que de vez em quanto ela me ajuda de certa forma. Mas ainda assim, não posso fraquejar, nem abrir brecha pra voltar a amizade. Temos que viver assim, pois só assim ela será feliz.

Uma canção?
Pode ser duas? E bem bregas, hehe. Vida Cigana, e sua poesia: "Por algum tempo que eu vou ter que viver por aqui, longe de você, longe do seu carinho... E do seu olhar". Que dureza viver longe de você.

E a outra é a que melhor define que de todas as garotas que passaram na minha vida, nunca teve uma como ela: "Amor igual ao teu, eu nunca mais terei... Amor que eu nunca vi igual, que eu nunca mais verei". Pois é. Igual a esse acho que só uma vez na vida mesmo.

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