quinta-feira, 3 de março de 2016

Doppelgänger - #131 - No hero to answer the call.

“Pft... Isso te torna apenas um ladrão de bancos, idiota”, disse Al, terminando de tragar seu cigarro e colocando a bituca num cinzeiro portátil.

“Não seja ingênuo, meu irmão. É óbvio que não era apenas pelo dinheiro!”, disse Ar.

Al apenas olhava, arcando as sobrancelhas. Estava ficando furioso. Não havia cigarro que poderia acalma-lo.

“Sabia que essa crise financeira que o mundo está foi iniciada por mim lá em 2008? E não era apenas para causar o caos. Na verdade tudo foi bem controlado, todo movimento foi muitíssimo bem calculado”, disse Ar.

“Explique-se”, disse Al.

“Foi um desafio pessoal. E eu fiz tranquilamente. Pessoas vão culpar umas as outras, e ninguém irá assumir a existência de terrorismo econômico. E eu fui direto nas cabeças. Nos Estados Unidos. E derrubei feio instituições financeiras seculares. Deixei os líderes do mundo fracos pra arquitetar meu ataque nos outros menores. Mas não pense que foi a única coisa que eu fiz. Vamos dizer que foi a única que foi televisionada...”, disse Ar.

“Agora faz mais sentido. Você quer manipular a economia ao redor do globo, todas as instituições, cotações de moeda, acionistas, todos”, disse Al.

“Sim. E pra isso eu precisava da mídia, precisava dos políticos, precisava do exército e dos bancos e empresários. Todos estão comigo. Muitos talvez achando que podem dar algum golpe em mim, mas o VOID sempre vai me proteger e me avisar de antemão se algo está acontecendo. O mundo inteiro é observado por mim. É a era da informação!”, disse Ar.

“Faz sentido. Todos os dados de todas as pessoas do mundo trafegam por aí por meio de bytes. Quem tiver uma máquina capaz de rastrear isso tudo e selecionar o que importa ou não será o rei do mundo”, disse Al.

“Exato. Como acha que eu fui te ligar justo no número que você achava que não tinha como descobrir?”, disse Ar.

“Que merda...”, disse Al, terminando com um suspiro, tirando o celular do bolso e observando.

“Eu fiz a Crise acontecer. E como transações financeiras e negócios ocorrem sem a regulamentação de ninguém, eu poderia controlar tranquilamente o mundo inteiro. Existe outra coisa também. Sempre as empresas que estiverem do meu lado irão triunfar também. Pois estamos todos financiando um novo mundo. E eu vendo pra eles o mundo que eles quiserem. Mal sabem que não estão dando a perna em mim. E sim, comendo migalhas na minha mão”, disse Ar.

“O que quer dizer com isso?”, disse Al.

“Se você fizer uma lista vai ver que hoje, no mundo, são umas poucas empresas controlam tudo. Desde grandes conglomerados de mídia, passando por empresas alimentícias e de bebidas. Parecem que existem diversas marcas e empresas diferentes, mas todas elas são apenas subsidiárias de algo maior. É assim que o mundo funciona”, disse Ar.

“Isso geraria mais dinheiro”, disse Al.

“E esse dinheiro seria muitíssimo bem aplicado. É igual esse mesmo dinheiro que o VOID está gerando agora. Ele mesmo está encaminhando pros destinatários que eu quero nesse exato momento. E não são apenas empresas”, disse Ar.

“Nesse momento? Faz sentido você dizer que nada realmente pode ser feito. Pois já foi feito”, disse Al, provocando.

“Anote o que acontecerá nos próximos anos, meu irmão. Tem dinheiro agora indo pra financiar grupos terroristas no Oriente Médio. Quero separatistas para derrubarem governos e chamarem a atenção pra lá. Isso vai causar muitas mortes, imigração em massas pra diversos países próximos e o mais divertido: atentados terroristas. Tanto lá, como ao redor do globo!”, disse Ar.

Al permaneceu calado. Era inacreditável.

“Outra parte irá para um dos continentes com democracia mais frágil do globo. América Latina. Vou patrocinar mídia, empresas, políticos, e colocarei no poder pessoas ligadas à esquerda. Farei com que sejam colocados como estandartes da justiça social e dignidade, e duas coisas acontecerão: ou todos se unirão e farão uma revolução comunista com guerras civis pelo continente (esses tontos adoram Cuba e Che Guevara), ou simplesmente vão quebrar país atrás de país. Pra ambos os casos só restará uma alternativa: resposta armada contra eles”, disse Ar.

“Você...”, Al deixou o semblante de raiva e ficou assustado com a engenhosidade do plano.

“Outro lugar que dinheiro está indo é pra grupos separatistas no Europa Oriental. Quero ver sangue, guerras civis, Insurreições e caos! Ucrânia, Bulgária, Polônia, et cetera, esses países desse lado. Vai ser divertido ver o que esses grupos farão com dinheiro e armas. E quero também mexer com asiáticos também. Vou comprar a mídia, fazer com que acreditem que existe um milagre econômico acontecendo daquele lado do globo. Até o dia que, é claro, eu mandar desmentirem tudo, e virem que de progresso não tem é nada, e derrubar o mundo inteiro que investiu por lá”, disse Ar.

Al colocou a mão na testa. Suava frio. E tudo já estava feito, não tinha como impedir o VOID. Os atos de Ar haviam passado do limite há muito tempo, e iria mudar radicalmente a maneira com que vemos o mundo.

“Eu demoraria décadas pra conseguir fazer isso. E olha que não era pouco dinheiro não. Injetando o dinheiro que estou fazendo com o Rosebud e direcionando pros lugares que eu quero vai agilizar o processo que levaria décadas em... Alguns minutos”, disse Ar.

Al estava pálido. Não era vingança pessoal, nem nada do gênero que Ar queria. Era apenas poder, e ele precisava que alguém fizesse exatamente o que ele queria de alguma forma.

“E imagina só... Cada vez mais dinheiro a OTAN usaria em guerras, até o momento que quebrariam. Economias de diversos países estariam em frangalhos pedindo socorro, grupos de extrema esquerda e direita querendo tomar o controle de países, terroristas em todo o lugar do mundo disseminando mais preconceito. E não teremos nenhum herói de Kripton para salvar a Terra. Estaremos a mercê das minhas vontades. É no mínimo genial, meu irmão!”, disse Ar.

Um calafrio passou no corpo de Al. Aceitar essa missão foi um erro que o mundo inteiro pagará o preço da sua falha.

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