sexta-feira, 29 de abril de 2016

XXII - O Tolo



3 de dezembro de 2012
5h54

“O senhor ficará bem. O tiro pegou bem perto dos seus órgãos, mas não acertou nenhum”, disse a enfermeira para Al.

Sentado na maca, com um cobertor por cima do corpo, Al via os primeiros raios de um novo dia. O tiro havia pego ele abaixo da cintura, do lado direito. Provavelmente ficaria uma cicatriz bem feia. Mas medicamentos estavam sendo ministrados naquele momento, e a dor estava passando.

Al observava aquele monte de carros militares, vários policiais que estavam do lado de Ar sendo levados presos, ambulâncias, mas ainda assim seu coração não estava calmo. Essa missão falhou, e aqueles primeiros raios daquela manhã mostravam que haveria um novo dia pela frente. Mesmo que as consequências fossem catastróficas pro mundo inteiro a partir daquele ano.

“Me soltem! Droga!!”, gritava Ar, enquanto dois policiais o puxavam pelos braços, algemado.

O olhar de Al e Ar se cruzaram naquele momento. Não tinha opção, o carro que levaria Ar preso estava bem perto de onde Al estava. Ele tinha que passar justamente por ali.

“Esperem, esperem!”, disse Ar, ao ficar de frente pra Al, “Fiquei com raiva de ver você aí vivo, mas por outro lado estou feliz também. Você vai ver toda a minha insurreição!”.

“Insurreição? Só se for da cadeia. Você queria ser um mártir, e isso faria ainda mais as pessoas te verem como uma espécie de deus, mas no final você é apenas um moleque que foi preso e vai passar o resto da vida na cadeia”, disse Al.

“O VOID já fez grande parte do trabalho sujo. Agora é só esperar as consequências! Grupos terroristas, países quebrando, guerras civis, bancos falindo... Você realmente achou que eu não havia pensado na possibilidade de eu ser preso, Al, meu irmão?”, disse Al.

Al ficou calado, sem responder, ouvindo apenas com o rosto sério. Ar prosseguiu:

“Existem pessoas que vão continuar o que eu comecei, Al! Todos aqueles agentes que eu recrutei para estarem do meu lado. Você pode atrasar a minha insurreição por alguns meses, ou até anos, mas tudo vai acontecer! E você vai ter que ir atrás de cada um deles, e isso você jamais vai conseguir!”, disse Ar.

“Você acha que está acima do bem e do mal. Acha que se ergueu pra ser o deus do novo mundo. Mas sabe o que eu acho que você é? Nada menos que um criminoso comum. Espero que tenha bons advogados, pois a senhora Watson não vai te deixar cair fora disso impune”, disse Al.

Nessa hora os policiais ordenaram que levassem Al para o carro da polícia. Quando se viu sendo puxado, Ar ficou furioso e começou a gritar a plenos pulmões, como se estivesse sendo alvo de alguma injustiça.

“Pode até ser, Al! Mas eu vou completar o que comecei! Me aguarde! E farei questão de matar o seu irmão mais velho também! Aquele idiota foi aparecer justo naquela hora! Você viu ele também, não viu? Ele me deu um golpe e eu simplesmente apaguei depois que ele me levantou pelo pescoço! Sim, seu irmão, Arch, ele está VIVO!! VIVO!!! VIVOOOO!!!”, dizia Ar, furioso, resistindo a ser puxado pro carro da polícia com todas as suas forças.

Ar era forte. E mesmo com dois policiais o puxando, ele mal saiu do lugar. Al olhou pra Ar por alguns momentos. Aquela frase sobre seu irmão mais velho o deixou furioso. Sua cara mostrava isso. Al fechou seu punho e deu um soco no nariz de Ar com bastante força.

“Ninguém fala asneiras sobre o meu irmão na minha frente!”, disse Al, nervoso, que depois de uma pausa prosseguiu: “E ele é seu PAI também, seu imbecil”.

Um terceiro agente chegou e mandou os dois guardas avançarem, levando Ar até o carro que o levaria para a delegacia, enquanto ele gritava de dor, depois do soco no nariz. Al, sentado na maca, com um cobertor na cabeça, observava Ar sendo levado e se debatendo querendo fugir, com o nariz ensanguentado querendo virar o rosto pra continuar gritando sandices pra Al.

“Não acabou aqui, Al! Eu vou voltar! Vocês todos vão pagar caro por isso! O seu irmão está vivo!! Arch está vivo!! Eu tô falando sério!! Eu o vi com meus próprios olhos!!”, dizia Ar, aos berros, totalmente tomado pela fúria por sua falha, antes de entrar no carro e ser levado preso.

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