segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Amber #15 - Duelo em Barcelona (3)

O ser prateado mal apareceu e deu um forte golpe no abdômen de Sundermann, o lançando contra o teto, sem hesitar.

Schultz ainda permanecia pasmo com a força inimaginável daquele ser. Agora que estava de dia era possível ver melhor suas feições. Seu rosto parecia coberto por algo que parecia uma máscara de solda, mas era impossível ver os olhos dentro da fresta. Seu corpo tinha uma armadura que era bastante geométrica, vendo de longe aparentava que aquilo aguentaria disparos de fogo sem problemas, e não havia lugar algum que pudesse ver o que havia por debaixo daquilo. Em seus braços e pernas haviam pistões que pareciam dar mais velocidade e força nos golpes. E haviam duas espécies de antenas na altura dos ouvidos, que davam ainda mais impressão de que aquilo não era um ser humano.

Mas a força física era descomunal. Foi caminhando em direção de Schultz, que sacou sua Browning HP dando tiros, mas viu que os tiros apenas ricocheteavam. Aquelas balas voando sem trajetória poderiam ser perigosas.

“Mas que porra de armadura é essa?”, se perguntou Schultz. Sundermann estava cuspindo sangue, e Goldberg foi até seu amado ajuda-lo.

Merda, será que tem alguma coisa aqui que dê pra eu usar?, pensou Schultz, procurando algo. A escrivaninha de Sarah Sarkin tinha rodinhas, com certeza se alguém empurrasse aquilo com força e mira suficientes iria jogar aquele ser para longe com o impacto. Mas jogar pra onde?

Goldberg estava desesperado. Via que seu amado estava ferido no chão e temeu pela vida da pessoa que lhe era mais importante. Enquanto isso Schultz tentava atirar, atraindo o ser prateado para longe deles, via que o ser prateado destruía as caixas, mesas e cadeiras e tudo o que estivesse na sua frente sem a menor dificuldade, jogando-as para longe com brutalidade. Cada vez mais se aproximava de Schultz.

“Um golpe dessa merda aí com certeza vai me ferrar, tenho que impedir que ele me alcance! Goldberg, cuida do Sundermann aí que estou pensando num plano!”, avisou Schultz, achando que o ser prateado não tivesse inteligência o suficiente pra entender alemão.

Schultz se virou e começou a correr entre as caixas. Pensou que com aquela armadura toda o ser prateado não teria muita velocidade. Rapidamente se pôs a pelo menos uns cinco metros dele, saltando nas caixas e móveis.

Pelo menos esse aí é lerdo. Eu poderia travar o movimento dele colocando algo no espaço da armadura entre a articulação do joelho. Atirar com tudo não vai funcionar mesmo, não vai nem trincar essa merda!, pensou Schultz.

Mas sequer ele teve tempo pra pensar, quando tomou um grande susto. O ser platinado se colocou em posição de ataque, como se fosse um touro prestes a atacar com uma chifrada. Os pistões se encheram de ar e rapidamente um grande apito se seguiu com uma marcha que veio como uma bala de canhão, jogando todos os móveis e caixas para os lados e abrindo o caminho para o ser prateado, que vinha como um tsunami em direção de Schultz, jogando tudo pelos ares. O alemão só teve tempo de se jogar com tudo pro lado, porém a força dos móveis e caixas que foram jogados foi imensa, e ele acabou quase que enterrado no meio de um monte de madeira quebrada e armas.

“Argh! Meu braço, que porra!”, gritou baixo Schultz ao ver que um pedaço de madeira havia cravado no seu antebraço esquerdo.

O ser prateado parou antes de bater na parede. Tinha realmente muito controle e força, além de agilidade. Um bicho daqueles numa guerra faria muito estrago sozinho. Mas da onde havia saído aquilo? Da onde era aquela aberração? Seria uma arma secreta de algum país? Embora essas questões rondassem a cabeça de todos ali naquele momento, o maior problema seria como sair dali vivos.

“Ei você!”, disse uma voz rouca, descendo as escadas do cativeiro acima, tossindo muito entre uma palavra e outra, “O fosso de elevador de carga! Jogue Platinum ali!”.

Bem perto de onde Sundermann estava, de onde o velho havia descido da escada, havia uma porta de um elevador bem antigo, desses de grade. Estava bem desgastado e enferrujado, parecia que não era usado há muito tempo. Schultz se ergueu do monte de entulho com a madeira fincada no seu braço e começou a caminhar, com dificuldade.

“Você… Eu vi sua foto na ficha! Gehrig? Hubert Gehrig?”, perguntou Schultz ao velho.

“Anda logo, isso não é hora pra apresentações!”, ele disse, tossindo muito depois de falar. Sua mão tinha muito sangue, “Abram essa porra desse elevador e jogue ele lá! Nos dará tempo de escapar!”.

Goldberg era o único que estava inteiro ainda. Schultz tentava caminhar, mas era muito difícil, achou que seria mais prático dar a volta por todo o local que ainda não havia sido destruído pelo ser prateado. Já o ser desconhecido ia caminhando em direção de Goldberg e Sundermann, destruindo com seus socos todas as coisas que estavam no seu caminho, lançando-as longe naquela sala.

Porém, Goldberg não queria abandonar Sundermann.

“Rápido, você tem que fazer isso, senão nós dois vamos morrer, querido!”, apelou Sundermann.

“Não, Lars, meu amor, não posso deixar você aqui desse jeito!”, disse Goldberg, chorando.

“Vai logo, Goldberg! É uma ordem!! Abra essa porra desse gradil do elevador!!”, ordenou Schultz. De longe ele viu que uma das poucas coisas que aquele ser platinado havia destruído era justamente a pesada escrivaninha de rodinhas de Sarah Sarkin. E como o ser prateado estava abrindo caminho, tirando todos os móveis, era a chance dele mirar e empurrar com todas suas forças aquilo em direção do ser prateado. Mas antes, precisaria que Goldberg abrisse a enferrujada grade do elevador que não funcionava mais.

“Vá, pegue isso”, disse Sundermann, entregando nas mãos de Goldberg uma das muitas StG 44 que estavam jogadas no chão, “Não é o melhor pé de cabra, mas talvez possa nos ajudar agora”, Goldberg então olhou nos olhos e beijou Sundermann na boca. Ele temia que aquela seria a última vez que os dois estariam vivos. Sundermann então agilizou Goldberg, gritando: “Vai! Só você pode fazer isso!”.

Goldberg enfim pegou o rifle, colocou no gradil pra fazer uma alavanca e começou a fazer força. Cada vez mais o ser prateado estava se aproximando, e Goldberg fazendo mais e mais força. Foi aí que ele gritou e enfim conseguiu destravar a grade de proteção do elevador, abrindo-o. Nessa hora o velho Gehrig subiu correndo as escadas, e Schultz vendo que estava tudo pronto colocou seu ombro na mesa pra apoiar para que ele pudesse empurrar a mesa contra o ser prateado.

Porém nessa hora o ser prateado alcançou Goldberg, e começou a espanca-lo sem a menor piedade. Goldberg não conseguia nem mesmo gritar, e Sundermann ao lado dele vendo aquilo tudo usava suas forças pra se erguer pra salvar seu amado. Depois de três golpes Goldberg já estava inconsciente, sendo lançado contra a parede com golpes brutais sem misericórdia do ser prateado.

“SAIA DAÍ SUNDERMANN!”, gritou Schultz. Era a mesa vindo com toda velocidade. O ser prateado olhou pra trás ao ser surpreendido pelo grito, e deu tempo de Sundermann puxar Goldberd pra longe dali. Segundos depois o impacto foi direto contra o ser prateado, fazendo-o cair no fosso do elevador.

“Isaak meu amor, me responde, Isaak! Isaak!”, gritava Sundermann desesperado, mas Goldberg estava inconsciente, sem responder. Foi um alvo da fúria da força impiedosa do ser prateado. Nesse momento Schultz viu como o ser humano é essencialmente frágil, pois não foram muitos golpes, e Goldberg estava quase morto. Era possível ver até mesmo fraturas expostas em Goldberg, que tingia o chão com seu sangue. Schultz se aproximou mas não teve tempo de comemorar nada. O ser prateado estava subindo de volta!

“Mais que merda!! Ele tá subindo, puta que o pariu!”, gritou Schultz.

Nessa hora inexplicavelmente o vagão do elevador simplesmente despencou do alto e acertou o ser platinado em cheio enquanto ele subia. A rajada de vento e o barulho da queda os assustaram de princípio, mas depois viram que na verdade isso os havia salvo. Quando Schultz esticou o pescoço no fosso e olhou pra cima viu ninguém menos que Hubert Gehrig, um dos engenheiros armamentistas alemães sequestrados por Sarkin com um alicate imenso nas mãos. Ele havia cortado as correntes que sustentavam o velho elevador.

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