segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Amber #23 - Onde está Oliver Raines?

27 de abril de 1937
12h41

Rodolfo dela Rosa estava conversando com alguns soldados, apontando para alguns locais e indicando locais para tropas irem. A cidade estava morta, e o pouco movimento que tinha se dava pelas tropas dos revolucionários espanhóis e Briegel e os outros. A pequena parcela do povo de Guernica que sobreviveu chorava sozinha vendo os escombros do que eram suas casas. Famílias destruídas, crianças chorando agarradas aos corpos das mães, pais e mães de joelhos chorando debruçadas sobre os corpos dos filhos.

Schultz foi tentar achar algum lugar na cidade que não fora destruído pra arranjar algum lugar para eles ficarem enquanto buscam pistas que levassem até Oliver Raines. Nas ruas de Guernica estavam apenas Briegel, Liesl e Maggie andando.

“Aquele senhor Schultz, ele te chama de coronel. Não sabia que o senhor era do exército”, disse Liesl.

“Na verdade eu não sou mais”, respondeu Briegel, amigavelmente, que não estava cansado de sempre ter que dar a mesma explicação, “Eu lutei na Grande Guerra de 1914, nas colônias alemãs da África. Foi lá que conheci minha filha, inclusive”.

“Sua filha é negra?”, perguntou Maggie, espantada.

“É sim. Adotada, óbvio”, disse Briegel.

“Puxa, deve ser uma barra e tanto. Todo mundo devia ficar olhando, não?”, disse Maggie. Liesl puxou o avental da prima, pois estava com vergonha de ouvir esses comentários sendo feitos por ela.

“Sim. Mas francamente, não ligava. Meu medo sempre foi ela. Mas a Alice sempre foi uma menina muito inteligente, compreensiva e gentil. Eu sempre ensinei pra ela que as pessoas podem até olhar torto pra ela, mas ela jamais poderia alimentar esse racismo. Ela jamais poderia achar que é inferior a alguém, pois ela nunca foi. Ela é a pessoa que mais me dá orgulho nesse mundo”, disse Briegel.

“O senhor realmente deve amá-la muito”, disse Liesl.

“Sim. Ela é minha vida. E sei no meu coração que ela está viva e bem. Só precisamos achá-la”, disse Briegel, que nessa hora viu na sua frente Rodolfo dela Rosa, “Ei, Rodolfo, não é mesmo? Tudo bem aí?”.

Rodolfo ouviu o chamado de Briegel, sorriu para ele, e voltou rapidamente a tropa na sua frente, dispensando-os. Foi andando em direção de Briegel feliz, vitorioso, com os braços abertos dando-lhe um abraço.

“Coronel Briegel, como estou feliz em vê-lo bem!”, disse Rodolfo, com seu espanhol com sotaque estranho, “O senhor sobreviveu a todas aquelas bombas, realmente o senhor é alguém de muita sorte!”

“Pois é. Vamos dizer que a dama da sorte sorriu pra mim”, disse Briegel, sem jeito. Logo depois de falar isso Rodolfo viu as duas mulheres vindo atrás de Briegel.

“Sim. Dama da sorte”, disse Rodolfo, enquanto fitava Maggie Braun dos pés à cabeça, “Quem é essa linda loura que está com você, coronel?”.

“Ah, essa é uma engenheira armamentista, que Sarkin havia sequestrado. O nome dela é Margaret Braun, e essa é a prima dela, Liesl”, disse Briegel.

“Liesl, certo?”, disse Dela Rosa, chegando mais perto dela, “Liesl do quê? Ela não é judia, ou é?”.

“Liesl… Braun. É a prima mais nova. Ambas são arianas, sem dúvidas”, disse Briegel, mentindo sobre Liesl, escondendo que o real sobrenome dela era Pfeiffer.

Liesl permanecia quieta. Mas Margaret subivamente estava com os olhos arregalados, como se estivesse reconhecendo de algum lugar esse Rodolfo Dela Rosa.

“Escuta, eu recebi umas ordens lá de cima, do escritório do Führer…”, disse Briegel, cutucando Dela Rosa, tirando seus olhos de Maggie Braun, “...Achei que talvez você poderia ajudar, já que, bem”, nessa hora Briegel apontou pros destroços da cidade, como se dissesse que era hora de retribuir um pouco a ajuda que o Führer deu pra explodirem tudo em Guernica.

“Ah, sim, claro! Ficaria muito feliz em ajudar. O que é, coronel?”, perguntou Dela Rosa.

“Eu não tenho muitas informações na verdade. Eles só nos deram um nome, achei que você poderia ajudar”, nessa hora Briegel entregou um papel com um nome, “Oliver Raines. Será que tem algum dado, algum corpo, ou algo que nos possa levar a ele?”.

Rodolfo dela Rosa pegou o papel e leu a grafia de Briegel. Ficou alguns segundos buscando na sua memória, olhando em silêncio pro papel.

“Entendi. Bom, esse pedido é um tanto…”, disse Rodolfo, olhando pra cima, como se estivesse buscando algo da memória, “Ah, como eu posso dizer, um tanto… Unusual, sabe?”, a pronúncia de Rodolfo era de um inglês impecável.

“O senhor quis dizer em espanhol… Raro? Excepcional?”, corrigiu Briegel.

“Isso! Raro, é claro!”, disse Rodolfo, falando espanhol carregado no sotaque.

Havia algo estranho ali. Briegel ficou fitando Rodolfo para ver se ele iria dizer mais alguma coisa. O espanhol se virou e mandou um soldado trazer uma maleta dele e chamou Briegel para ir até uma mesa montada embaixo de uma tenda militar ali perto. Rodolfo foi na frente, Briegel se juntou e foi ao lado de Margaret e Liesl, um pouco distante dele.

“Briegel, esse cara, eu não sei…”, disse Maggie, puxando conversa.

“Hã? O Rodolfo? O que foi?”, perguntou Briegel.

“Ele me é familiar de algum lugar. Não sei, esse rosto eu já vi em algum lugar”, disse Maggie.

“Tem certeza? Consegue se lembrar de onde?”, perguntou Briegel.

Maggie balançou a cabeça negativamente.

“Não sei. Talvez eu esteja, sei lá, me confundindo. Me desculpa”, disse Maggie.

“Sem problemas. Pode confiar em mim, sim? Se achar algo estranho me avise, tudo bem?”, disse Briegel.

Logo Briegel, Maggie e Liesl chegaram na mesa embaixo da tenda militar. Dela Rosa tirou uma maleta de uma estante e abriu.

“Oliver Raines, sim. Ele está nos dando muito trabalho, coronel”, disse Rodolfo.

“Como assim? Estão atrás dele também?”, perguntou Briegel.

“Sim. Oliver Raines é uma das identidades de um suposto espião inglês que nos anda causando muitos problemas. Parece que ele descobriu que a Legião Condor viria detonar Guernica e avisou parte dos moradores daqui. Estamos atrás dele também, precisamos encontrar ele e matá-lo antes que ele cause problemas”, disse Rodolfo, mostrando alguns documentos de conversas grampeadas, “Mas com o senhor aqui, e sua habilidade investigativa, sem dúvida iremos descobrir logo onde está Oliver Raines. Conto com o senhor!”.

“Entendi. Pode deixar então, Rodolfo. Trarei a vocês Oliver Raines”, disse Briegel. Rodolfo começou a colocar os documentos de volta na mala, quando recebeu de um soldado um telegrama.

“Coronel Briegel? Um telegrama pro senhor”, disse Rodolfo.

“Ah, obrigado. Deve ser do meu amigo… Um padre. Ele é cheio dessas coisas, sabe”, disse Briegel, tentando explicar que estava esperando uma mensagem de Allan De Clercq.

Rodolfo dela Rosa olhou bem no remetente do telegrama, e entregou a Briegel, com uma cara confusa.

“Ih, parece que não”, disse Rodolfo. Nessa hora Briegel, com o telegrama em mãos leu o remetente, “Aí está escrito Heinrich Himmler”.

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