sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Amber #24 - Qual é o Oliver Raines?

Briegel abriu o telegrama rapidamente. Era uma ordem de Heinrich Himmler. Dizia expressamente para que deixasse Margaret Braun aos cuidados de Rodolfo dela Rosa imediatamente e que ele e Schultz voltassem imediatamente à Alemanha. Maggie, que estava do seu lado não pode evitar ler ao lado de Briegel quando viu seu nome de relance ali. Ao terminar de ler a alemã recuou alguns passos, com medo.

“O quê?”, disse Margaret Braun, sem acreditar.

“Ei, o que foi, Maggie?”, perguntou Liesl, “O que está escrito nesse telegrama, coronel?”.

Briegel nessa hora amassou o telegrama com sua mão.

“O que você sabe sobre isso, Rodolfo? Porque deixar elas ao seu cuidado? O que você pretende?”, perguntou Briegel, com o rosto furioso.

“Calma aí, coronel! Do que está falando?”, perguntou Rodolfo.

Briegel nessa hora bateu a mão na mesa, e depois jogou o telegrama na frente de Rodolfo, apontando. Rodolfo levou um susto com o barulho, e depois esticou o pescoço para ler.

“Não sabia disso. Mas se foi uma ordem de herr Himmler, você terá que deixá-la aqui”, disse Rodolfo. Nessa hora Liesl agarrou forte Maggie, como se não quisesse se separar dela. Briegel viu a cena e voltou o olhar pra Rodolfo.

“Vou perguntar mais uma vez, Rodolfo. O que você sabe?”, disse Briegel, batendo novamente na mesa. O som foi ainda mais alto, e Rodolfo ficou com medo.

“Oh, damn it!”, disse Rodolfo, com medo de Briegel, “Eu juro, não sei de nada, coronel. Por favor, acalme-se, sim?”.

“Isso tudo tá muito estranho, Rodolfo dela Rosa. Muito estranho mesmo! Como Himmler soube que encontramos Margaret Braun? E se mandarem ela de volta pra Alemanha e acabarem com ela? Você se responsabilizaria pela vida das duas?”, disse Briegel, já começando a perder a calma de vez, “Quer saber o que eu sei? Eu sei que isso tudo tá fedendo. E MUITO!”, disse Briegel, elevando a voz, “Se você não me dizer AGORA o que você sabe, não vou permitir que encoste em um fio de cabelo delas!”.

Rodolfo dela Rosa ficou em silêncio. Estava realmente amedrontado.

“Coronel, eu realmente não sei nada, eu juro pra você”, disse Rodolfo.

“Mentiroso!”, disse Briegel, virando de costas pra Rodolfo e puxando Liesl e Margaret pra fora.

Nessa hora os soldados de Rodolfo apontaram suas armas pra Briegel.

“Não atirem! Vocês são loucos? Esse cara é o coronel Briegel, se ele abrir o bico contra a gente, já era pra nós! É capaz da Alemanha declarar guerra contra a gente se algo acontecer com ele!”, ordenou Rodolfo. Briegel saiu com Maggie e Liesl, dando uma última olhada pra trás, de maneira bem ameaçadora pra Rodolfo Dela Rosa, que apenas observou, sem se mover.

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“Ei, coronel, e aí! Achamos um lugar pra passarmos a noite. Uma pousada, um pouco afastada, mas parece segura!”, disse Schultz, vindo em um jipe militar com Sundermann.

Briegel colocou Maggie e Liesl no carro, mas permaneceu em silêncio, com a cara fechada numa expressão de raiva.

“Coronel? Que cara é essa? Você prefere se hospedar numa unidade do Kempinski?”, brincou Schultz.

“Schultz, desce do carro e vem comigo. Sundermann, leve-as para essa pousada e proteja-as com sua vida, entendeu bem? Não deixe ninguém chegar lá. É uma ordem!”, disse Briegel.

“Coronel, o que o senhor vai fazer?”, perguntou Liesl.

“Vou no escritório desse Rodolfo dela Rosa. Tem algo que não está me cheirando bem, e não posso voltar enquanto não tirar essa dúvida. Schultz, preciso que venha comigo. Pode ser?”, pediu Briegel.

“Quando quiser, coronel! Vamos nessa!”, disse Schultz.

“Ótimo. Maggie, Liesl, tomem cuidado, sim?”, disse Briegel.

Nessa hora Maggie foi correndo até Briegel e deu um abraço nele.

“Eu acho que nunca agradeci por tudo o que o senhor tem feito por mim e pela minha priminha”, disse Liesl, com o ouvido no peito de Briegel, “Me sinto envergonhada por não ter confiado no senhor. Quando voltar, irei contar tudo o que sei, tudo bem?”.

Briegel nessa hora passou a mão na cabeça de Maggie com ternura, como se fosse um pai feliz em ver que a filha agora confiaria nele.

“Não vou demorar, prometo. Por favor, se cuidem”, disse Briegel. Nessa hora Maggie soltou  do abraço e foi pro carro com Liesl.

“O senhor também, coronel. Pode confiar na gente”, disse Maggie. E o carro se foi, dirigido por Sundermann.

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14h07

Briegel e Schultz ficaram espiando de longe os locais que Rodolfo ia. E perceberam que ele levava pastas com documentos para um edifício, bem longe do palco da destruição de Guernica, e voltou sem a pasta, deixando-a lá. Sem dúvida ali talvez seria um local onde Rodolfo guardaria suas coisas.

“Bom, não faz muito sentido, na minha opinião, Coronel”, disse Schultz, após ouvir a explicação de Briegel de sua suspeita, “Mas parece que nossa única pista talvez seja essa”.

“Sim. Mas pelo menos vamos tirar essa dúvida. Não sei, Schultz… Essa coisa tá muito estranha. É um palpite, se estivermos certos, ótimo. Se não, é só começar de onde paramos antes”.

Schultz e Briegel chegaram no prédio e foram subindo as escadas. Parecia abandonado, apesar das inúmeras rachaduras nas paredes por conta das explosões.

“Parece que as pessoas abandonaram isso aqui ás pressas. Várias portas foram deixadas abertas com todos os pertences das pessoas dentro”, disse Schultz, enquanto caminhava pelos corredores, observando os cômodos, “O que acha que podemos encontrar nas coisas desse tal de Rodolfo aí?”.

“Não sei. Acho que talvez alguma ordem do que fazer com a Maggie aqui, sei lá. Mas de qualquer forma a questão não é isso, e sim provar que ele não tem inocência nenhuma nessa coisa toda. Talvez nos dê as respostas que estamos precisando. Ele estava envolvido com o Sarkin, o traficante que Himmler sabia da existência e fechava os olhos, isso sem contar o sequestro e morte do Gehrig. Francamente, não sei”, nessa hora Briegel fez uma pausa pra suspirar, “Tudo parece convergir pro Dela Rosa”, finalizou Briegel.

“Sim. Ou talvez não, sei lá. Mas não custa tentar”, disse Schultz.

Briegel e Schultz acharam uma ou duas portas trancadas, mas ao arrombar viram que eram apenas casas abandonadas mesmo. Na terceira porta trancada ao arrombar viram que havia sido adaptada na forma de um escritório. Talvez seria ali.

“Uau. Que pilha de papéis. E eu pensando que era só chegar num lugar e jogar as bombas”, disse Schultz, ao ver que se tratava de um escritório.

“Anda, vem, Schultz. Vamos procurar logo, se encontrar algo me avisa”, disse Briegel, colocando luvas pra evitar deixar as digitais. Schultz fez o mesmo.

Em menos de três minutos já haviam visto quase tudo naquele escritório. Grande parte dos papéis eram comprovantes de recebimento das armas de Sarkin, relatórios militares, coisas rotineiras sem muita importância. Pelo menos sem muita importância pro que Briegel e Schultz buscavam.

“Schultz, dá pra ver algo aí pra arrombarmos esse cadeado aqui?”, perguntou Briegel, se aproximando de um armário trancado. Nessa hora Schultz abriu a gaveta da mesa, buscando alguma chave, e tirou um livreto. Briegel ao longe viu que era azul.

“Acho que não precisamos ir tão longe, coronel. Talvez o que a gente precise seja só isso”, disse Schultz. Nessa hora Briegel viu que havia o brasão de armas do Reino Unido estampado na capa. Era um passaporte.

“Saca só, coronel”, disse Schultz, abrindo o passaporte na página onde estava a foto, “É esse aqui que você tá procurando?”.

Era uma foto de Rodolfo dela Rosa. Mas estava escrito que o nome era Oliver Raines.

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