segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Amber #31 - A dura decisão de Schultz

Briegel colocou Sundermann em um carro que Dirlewanger deu e o levou imediatamente para um hospital de campanha da Cruz Vermelha ali nas redondezas. Briegel o deixou lá e foi até o galpão que Dirlewanger disse que estaria Alice. Briegel estava com um misto de alegria e ansiedade em poder encontrar logo sua filha. Mas ao chegar lá, viu que Schultz e Liesl haviam acabado de entrar.

Essa voz… É o Raines!, pensou Briegel, ao olhar pela fresta do portão. E, de fato, lá estava Raines e mais dois de seus homens segurando Margaret Braun pelos braços. Mas aquele não era o momento de invadir. Briegel ainda tinha o elemento surpresa, e um portão menor na outra extremidade do galpão, que lhe poderia ser útil…

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“Raines, seu maldito! Era você! Eu devia ter suspeitado que era você!”, disse Maggie Braun, enquanto Schultz entrava na frente de Liesl, apontando a arma pra eles.

“Tarde demais, Margaret. Tarde demais. Eu já descobri tudo, aqui vai ser meu triunfo final”, disse Oliver Raines.

“Raines, solta ela!”, ordenou Schultz, “Fim de jogo pra você”.

“Fim de jogo pra mim? Você é realmente um agente da Inteligência? Pois pra mim, soa como uma verdadeira anta, senhor Schultz”, disse Oliver Raines. Ele apontou a mão pra Maggie Braun, antes de prosseguir, “Eu não precisaria pegar ela se aquele tonto do Sarkin não tivesse matado o Gehrig. Agora vou ter que me contentar com essa nojentinha aqui”.

Liesl, que ainda estava meio em choque, avançou pra cima.

“Solta ela, seu canalha!!”, gritou Liesl, mas Schultz conseguiu correr e conter a jovem.

“Opa, opa! Eu vou soltar, sua judiazinha fedida. Na verdade, quero propor uma troca”, disse Raines, mandando os dois capangas irem pros fundos enquanto este segurava Maggie pelo cabelo, como se fosse um cachorro, “Isso, isso mesmo. Trocar essa loirinha aqui, por aquela queimadinha ali atrás”.

Os dois homens trouxeram ninguém menos que Alice Briegel, amordaçada nos braços e na boca, sem poder gritar. Seus olhos estavam lacrimejando, o rosto tomado pelo desespero. Mas quando viu Schultz seus olhos se arregalaram. Aquilo parecia esperança!

“Seu crápula!!”, disse Schultz, ameaçando com a arma, “Como diabos quer que eu faça uma escolha dessas! Liberte já as duas, está tudo perdido pra você!”.

“Amarrem essa pretinha nessa pilastra e venham aqui segurar essa engenheira!”, ordenou Raines, e prontamente os seus dois capangas amarram Alice Briegel numa pilastra e voltaram a segurar Maggie Braun pelos braços, “Não estou pra brincadeira aqui, Schultz! Daqui a poucos segundos uma tropa inteira está vindo pra cá trazendo reforços. Te dou a chance de escolher uma delas e cair fora daqui”.

“Porque a Alice é importante pra você, seu merda? Ela é apenas uma mulher comum!”, perguntou Schultz.

“Com ela eu posso ter muitos poderes. Manipular muitas pessoas que podem me ser úteis. Pra mim tanto faz uma ou outra!”, disse Raines.

Merda! Será que ele quer usar a Alice pra ter a mim e o Briegel como seus fantoches dentro da SD? Esse Raines… Não tem caráter nenhum mesmo!, pensou Schultz.

“Senhor Schultz, por favor, salva minha prima. É a única família que eu tenho, por favor!”, dizia Liesl, chorando, puxando Schultz, como uma criança desesperada.

Schultz não sabia o que fazer. Olhava pra Liesl e seus olhos cheios de lágrimas, e depois virava os olhos pra Maggie, que foi tão espancada que lutava pra manter os olhos abertos, com o rosto todo ensanguentado. Schultz também estava muito machucado depois da briga com aquele ser que cuspia fogo. Todos ali pareciam estar nas suas últimas forças. E ele havia prometido pra Liesl que iria salvar sua prima. E agora tinha apenas poucos segundos pra decidir, enquanto a própria Liesl mostrava lágrimas de desespero e o medo de nunca mais ver a pessoa que lhe é mais importante.

“Schultz, todos estão sendo manipulados por ‘aquela’ pessoa”, disse Raines. Schultz ainda estava muito tenso pra poder responder qualquer coisa. Tão tenso que nem reparou que alguém estava entrando no local pelo portão de trás do galpão. Raines prosseguiu: “Agora que eu descobri tudo, o único jeito de conseguir parar isso tudo é se ela terminar a Unidade Meta. Todos nós seremos caçados até a morte, mas somente assim, teremos uma chance de viver”.

Schultz não estava entendendo nada. Liesl ao seu lado não parava de chorar, e sem forças nas pernas, caiu de joelhos ao lado de Schultz, que continuava com sua arma apontada para Raines. O próprio Schultz, que sempre teve muito controle das suas emoções, estava sentindo o quão difícil era tomar a decisão entre vida e morte de duas pessoas importantes naquele momento.

“Vamos logo, Schultz! Chegou a hora de decidir!!”, gritou Raines. Schultz não conseguia ouvir nada além dos gritos de Liesl do seu lado ao ver que a hora estava chegando. Mas foi nesse ínterim que seu corpo agiu demonstrando o imenso dilema que se passava na sua mente.

“E-eu…”, disse Schultz, baixinho, olhando pra baixo, “Não… Sei!”, disse pausadamente.

Schultz ao dizer deixou sua arma cair no chão. Aquilo era o símbolo do seu desespero interior.

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