segunda-feira, 20 de março de 2017

Amber #42 - Para alguém da realeza, a corte.

Liesl e Ursel estavam paralisadas. Soldados estavam claramente esperando a chegada de Ursel Meyer para abordá-la. E eventualmente matá-la. Ursel temia obviamente pela sua vida. Já Liesl temia não poder tirar as informações dela sobre Oliver Raines antes que ela morresse. Ursel Meyer foi a única pista que encontraram sobre Oliver Raines em dois anos! As coisas não poderiam terminar assim!

“Liesl, são muitos soldados?”, perguntou Briegel, que apareceu no corredor, falando baixinho.

Liesl balançou positivamente a cabeça pra Ursel, mas ambas continuaram com as armas uma apontando para a outra. A adolescente esticou o pescoço, encostando na parede e abrindo uma pequena fresta na cortina pra ver quem estava lá fora.

“Muitos soldados, coronel!”, anunciou Liesl, assustada, “Pelo menos quinze soldados lá fora!”.

“Merda!”, disse Briegel, “Alice, volte pra casa dos fundos e fique por lá escondida. Tome cuidado, sim, filha?”, Alice confirmou com a cabeça e se apressou, “Ursel Meyer, por favor, baixe a arma. Nós só viemos conversar. Você também, Liesl”.

Ambas simplesmente ignoraram o que Briegel pediu, e continuaram apontando a arma uma contra a outra.

“Abra a porta!! Vamos arrombar!!”, gritava o soldado do outro lado.

“Não vão tirar nada de mim, seus nazistas”, disse Meyer, “Eu prefiro morrer do que ajudar vocês!”.

“Meyer, não queremos machucá-la! Viemos atrás de você pois precisamos de informações sobre Oliver Raines!”, disse Briegel, baixinho.

Ursel Meyer ao ouvir o nome de Raines mudou de expressão, ficando levemente surpresa. Ainda mirando em Liesl foi caminhando de lado, se afastando da porta, e se aproximando de Briegel.

“Raines? Oliver Raines?”, perguntou Meyer, baixinho, tentando confirmar o que achava que havia escutado, “E quem diabos é você? Está com essa pirralha?”.

“Sou o tutor dela. Meu nome é Roland Briegel”, disse Briegel.

Nessa hora Ursel realmente ficou surpresa.

“Briegel?!”, disse Meyer.

Os oficiais nazistas do outro lado deram o primeiro golpe na porta. Foi extremamente forte, chegou até a balançar a estrutura da casa. Liesl de novo abriu uma fresta e olhou pro outro lado. Eles estavam com um desses arrombadores de porta, como se fosse uma tora de madeira, quatro homens, prontos para dar mais um golpe. Era tão forte que com certeza aquela porta frágil não aguentaria muito.

“Sinto muito, mas talvez esse não seja o momento ideal pra conversar”, disse Ursel. De fato, não era, aquele local era realmente perigoso. E de tanto caminhar, Ursel acabou chegado do lado do próprio Briegel.

Mais um golpe foi dado na porta. O fecho da porta estava por um triz. Ursel parecia tensa, mas nessa hora olhou pra Briegel e sorriu, dando uma piscadinha com o olho.

“Ursel! Não, não, não!”, disse Briegel, com Ursel Meyer do seu lado, erguendo a mão e com um gesto mandando Liesl baixar a arma, que ainda estava apontada pra Ursel, “Eu posso arranjar um local seguro! Espera!”.

“Sinto muito. É Briegel, certo? Acho que o melhor que vocês podem fazer agora é me deixar ir”, disse Ursel, guardando a arma na cintura e dando as costas batendo em retirada, “Se você é realmente o agente que diz ser, vai saber onde me encontrar! Uma pessoa da realeza igual você só pode mesmo encontrar os outros na corte!”.

Ursel Meyer bateu em retirada bem na hora do terceiro golpe contra a porta. Soldados entraram no mesmo instante, mas encontraram Briegel e Liesl na sala, e Ursel ao longe, fugindo.

“Coronel Briegel!”, disse o soldado se aproximando de Briegel, “O que o senhor está fazendo aqui?”.

“Sinto muito, soldado. Ela acabou escapando”, disse Briegel, tentando inventar uma mentira para encobri-los, “Ela nos rendeu e escapou. Estávamos por um triz de capturá-la”.

“Mas, coronel Briegel, porque não pediu nosso auxílio?”, disse o soldado.

“Acho que foi minha assistente”, disse Briegel, apontando para Liesl, “Acho que ela errou o endereço, fomos parar na casa de trás, atravessamos a cerca e pegamos a mulher aqui. Peço desculpas pelo erro dela”.

“Não, coronel Briegel, sem problemas! Fico aliviado em ver que estão sãos e salvos! Meus superiores me matariam se algo acontecesse com o senhor aqui em Viena! Estamos com soldados na vizinhança, não se preocupem, vamos pegá-la”, disse o soldado.

Briegel se aproximou de Liesl, sussurrando no ouvido dela:

“Espero que consigamos ser mais rápido que eles pra acha-la, isso sim”, disse Briegel, “Desculpe inventar essa estória de que você a perdeu. Fiz isso apenas pra estória convincente pra enganar esses aí. Tudo bem?”.

“Sem problemas, coronel”, disse Liesl, sorrindo. Ela sempre queria ser a número um com o homem que tanto amava, “E agora, como faremos pra achar ela antes deles? Devem ter soldados patrulhando cada centímetro ao redor!”.

“Francamente, não sei. A única coisa que tenho certeza é que é ela. Ela sabe de algo, com certeza. O rosto dela berrava isso”, disse Briegel.

Briegel voltou com Liesl para a casa do vizinho de trás, onde Briegel mandou Alice se esconder. Ao chegar Briegel gritou, chamando sua filha, e ela apareceu, descendo as escadas.

“Papai?”, perguntou Alice, descendo as escadas. Briegel foi até ela e deu um abraço com ternura, “Que bom que estão bem!”.

“Que bom que você está bem também, filha!”, disse Briegel.

“Papai, vi a Ursel Meyer fugindo. Eu a vi enquanto ela atravessava essa casa aqui”, disse Alice. Nessa hora Briegel abriu um sorriso como se todas as esperanças houvessem sido renovadas.

“Tá de brincadeira! Essa é a minha filha!!”, disse Briegel, dando um abraço e erguendo a filha, “E aí, por onde ela foi?”.

“Ela foi por um beco. Parecia um atalho”, disse Alice, apontando uma direção, “Era naquela direção que ficava aquele teatro grande que ficava ali, não?”.

“Burgtheater! O teatro da corte imperial!”, disse Liesl, que se lembrava do imponente edifício ricamente adornado no centro da cidade.

Nessa hora Briegel lembrou da última frase de Meyer antes de fugir, sobre encontrá-la na “corte”.

“Sou da realeza? Talvez foi essa a dica dela, então”, disse Briegel, juntando as peças da última fala de Ursel Meyer, “Ela foi pro Burgtheater, o Teatro da Corte Imperial austríaca!”.

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