Bom Prato Capão Redondo


Talvez a primeira coisa que vêm à cabeça quando pessoas pensam em restaurantes populares é que é lotado de pessoas em situação de rua, e outras vítimas da sociedade capitalista. Mas não é o que eu vejo no restaurante que frequento — a unidade do Bom Prato aqui da região do Capão Redondo em São Paulo, que serve refeições por apenas um real.

Eu frequento há anos essa unidade, principalmente agora nessa época que está mais frio e eu consigo ir andando (o calor do verão é terrível pra caminhar). E acho que consigo elencar aqui todas as qualidades que me fazem sempre querer voltar a esse lugar, especialmente quando tô com preguiça de cozinhar.

Acho que a primeira coisa que vale destacar é a qualidade da comida. Arroz e feijão são sempre a base, um arroz soltinho, e um feijão bem cozido e saboroso. A proteína e os legumes sempre variam, já peguei desde uma deliciosa carne moída com abóbora, até pernil assado, tudo preparado com muito requinte e capricho. Sempre tem uma salada também. Para beber há um tempo atrás tinha até uma máquina de suco, desses bem artificiais, mas hoje é água (mas nada impede que a pessoa leve algo melhor para beber, muita gente faz isso). E também uma fruta de sobremesa faz com que a comida tenha um padrão excelente nutricionalmente. Uma comida que além de saborosa, sinto que sustenta mais do que muita coisa que cozinho pra mim mesmo.

A limpeza do restaurante também é excelente. Banheiros limpos também, tudo branquinho e asseado. Pratos sempre lavados, bandejas também, nunca peguei nada sujo lá. Isso sem contar os funcionários que são sempre muito prestativos, sejam os que servem a comida, como também os que cuidam da limpeza, e os que assessoram ali as pessoas idosas.


Existe sempre muita fila, mas é uma fila que anda rápido. A gente paga um real e ganha um cartão pra retirar a refeição. Entramos na fila, pegamos nosso prato, bandeja e talheres, e somos servidos, para então irmos até nossa mesa apreciar a refeição.

Como é um restaurante popular não vou mentir que existem sim algumas pessoas que frequentam que por conta da sua vulnerabilidade social não estão asseadas, por exemplo. Mas afirmo que mesmo depois de todos os anos frequentando, é muito difícil encontrar alguma pessoa com um cheiro esquisito por conta da sua situação de pobreza. Acho que sem querer as pessoas acabam isolando essas pessoas que aparecem por lá eventualmente, então se você ver uma mesa vazia com uma ou duas pessoas apenas, é melhor tentar pegar uma mesa cheia. Eu tenho um olfato muito sensível a cheiros ruins, não consigo disfarçar, então essa é a dica que dou. Mas ressaltando: é raro pessoas assim, sem higiene por conta de estarem em situação de rua.

A grande maioria são pessoas que trabalham nas redondezas, pais e mães com seus filhos depois de saírem da escola, especialmente se for final do mês e o vale-refeição ter acabado, haha. No geral sempre são pessoas simpáticas, já sentei com muita gente interessante durante o almoço, e já tive excelentes papos com as mais diferentes pessoas que frequentam o Bom Prato.

Eu não tenho vergonha alguma também de frequentar esse lugar não. Comida boa, nutritiva, barata, num ambiente limpo com funcionários simpáticos, isso muitas vezes nem pagando duzentos pratas num bom restaurante a gente consegue essa qualidade tão ímpar! Especialmente nos dias que tô com preguiça de cozinhar, é no Bom Prato que sei que vou comer uma comida boa, fresca, melhor que comer alguma besteira que preparo em casa. Nota mil!

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