O ano das duas gripes (até agora)
Fazia muitos anos que eu não pegava uma gripe. Nem mesmo resfriado. Acho que a última vez que tinha pego havia sido na pandemia — aquela Covid-19 desgraçada, que me deixou dias seguidos com uma febre que não passava, em pleno janeiro. Todo ano tomo vacina da gripe, mas acho que estou mal acostumado com o frio talvez.
Eu amo o frio. E como fazia pelo menos uns dez anos que eu não sentia o frio que está fazendo agora, e pensava sinceramente que nunca mais sentiria, por conta do maldito aquecimento global. Mas esse ano, acho que pelo fato de eu estar comendo bem menos besteira, e perdendo algumas medidas, sem o tecido adiposo de antes o frio está muito mais forte.
Em janeiro eu peguei uma gripe bem forte. Dessas de dar febre muito alta, atacar minha sinusite, e eu parar na cama tomando antibióticos. Tudo bem que era um vírus novo, afinal parece que a vacina da gripe dura mais ou menos uns seis meses, no verão é muito mais improvável de se pegar gripe. Mas como acredito que estou protegido por todo o segundo semestre, é no raiar do novo ano que eu sempre acabo me resfriando.
Acabou passando, melhorei, embora a tosse seca alérgica de sempre tenha persistido por algumas semanas, mas logo essa também sumiu. Dia 19 de maio, quando liberou as vacinas da gripe para o público geral, fui lá tomar a minha dose, que faço questão há anos.
Foi na semana ali da minha festa de aniversário que meu pai chegou tossindo, como ele sempre faz, pela casa inteira. A vida inteira é assim, eu lembro de quando eu era criança que ele sempre era descuidado e trazia doenças pra casa, e a depois brigava com a gente (brigas movidas por "amor"), sendo que ele nunca foi homem o suficiente para apontar o dedo pra si mesmo e pensar que ele havia trazido influenza pra casa.
No dia da minha festa (26 de julho) acordei com a garganta bem ruim, mas como era a festa que eu esperava há muito, meio que a doença deu uma trégua e me deixou aproveitar.
E agora estou com um resfriado que já deu uma recaída. O tempo seco não ajudou, e as mudanças do tempo também não. Pelo menos agora eu vejo que o catarro está enfim saindo sem cor, sinal de que está no fim.
Acho que uma das melhores sensações da vida é a sensação da cura. Eu lembro da vez que peguei caxumba na adolescência, e tive que ficar afastado de todo mundo por semanas — não apenas por conta do contágio, mas também para tratamento. Quando eu enfim fiquei bom, e pude voltar para a escola e para o grupo de teatro, eu estava muito feliz.
Parece que superar uma doença é uma sensação muito próxima de um renascimento. E isso vale pra tudo, desde uma gengivite, até uma câncer. Por nenhum desses dois passei na minha vida (e espero passar muitos anos sem saber o que são ambos) mas mesmo quando eu percebo os sinais de um simples resfriado passar, fico pensando nas coisas que quero voltar a fazer, em pular corda, em passear pela cidade, ir na biblioteca, visitar minha avó.
Cura é mesmo um renascimento. Eu odeio ficar doente. Parece que resfriados sempre duram mais tempo em mim do que nos outros.

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