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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Busca por padrões.


Os gregos! Sempre eles. Estava ouvindo a crítica do Arnaldo Jabor hoje sobre o grande vencedor do Oscar, o filme O Artista, que, na opinião dele, veio com a promessa de ser um filme que criticasse as produções com investimentos milionários em efeitos visuais com um filme mudo, feito no modo das antigas, mas não parece ter sido assim. Ele diz que continua um filme que segue os padrões de Hollywood e não tem o amor pela sétima arte e sim, pelo dinheiro.

Os gregos sempre procuraram um padrão. Diziam que devia ter um padrão para a arte, para as vestimentas, para o comportamento e para as leis. Eles diziam que uma sociedade devia buscar cada vez mais o homogêneo para se estabelecer.

Tome como exemplo aquelas concepções de futuro que sempre nos foram pregadas: de um mundo onde tudo teria aquele branquinho da Apple, nossas casas, nossas roupas seriam leggins brancas, todos seriam iguais. Parece que o período modernista mudou esse ponto de vista criando a nós uma noção de que seríamos livres. Livres pra sermos o que quisermos e fazermos o que quisermos.

Mas parece que o negócio não é bem assim.

Essa imagem eu achei há um tempinho nesse link. Um maluco aí pegou obras nús famosas e retocou, dando uma siliconada e algumas lipoaspirações para deixá-las próximas a um padrão de beleza atual. Bom, ele pegou algumas fáceis, queria ver transformar as gordinhas do Renoir.

Houve alguns críticos antigos de arte, principalmente quando o cinema começou a fazer sucesso (isso lá no começo do século XX) que diziam que o cinema japonês deveria ser o melhor. Deveria. Disse que uma vez que o Japão ficou durante séculos isolado culturalmente e geograficamente (isso até o Comodoro Perry "invadir" pra comer umas japas) conseguiu desenvolver uma arte sem influências, sem a busca por esse padrão, mas ele se perdeu e, se seu cinema tivesse absorvido, a coisa seria boa.

Bom, ele não conheceu o Akira Kurosawa, provavelmente.
Mas se O Artista segue ainda os padrões clichês de Hollywood, seria da natureza humana procurar sempre fazer um padrão por mais que a sociedade diga que somos livres pra fazer o que quisermos e do jeito que quisermos?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sinais inegáveis.

"Trrrrrrrrrrrrom! Trrrrrrrrrrrrom! Trrrrrrrrrrrrom!"

Fiquei assustado quando ouvi o celular tocando. Eu estava no telefone com ela, conversando. Vi no identificador de chamadas. Era de uma menina que eu tinha ficado há um tempo, estava me ligando naquele momento.

"Ah, desculpe. Meu celular tocou", vi quem era e acionei o botão pra cancelar a chamada. Voltei ao telefone que estava originalmente. "Advinha quem era? Sim, era a *! Hahaha, não entendi porque ela tá me ligando uma hora dessas!", eu afirmei, meio sem jeito.

Essa amiga no telefone nunca aprovou meu relacionamento com essa menina. Ela estava ficando comigo, mas pensava no outro, no ex-namorado. Eu também sabia disso, mas não ligava muito. Queria só curtir um pouco. Mas tudo entre nós terminou antes mesmo de começar.

"Alain, não acredito que era ela. Me fala, vocês não tão conversando, né? Não tá rolando mais nada, né?", a amiga disse, inquieta, nervosa, aflita.

"Não! Não! A gente nem anda se falando direito... Ficou só na amizade mesmo. Não tá rolando nada, fiquei tão surpreso como você ficou!", respondi.

"Eu te falei sobre ela, não dá. Ela vai te fazer sofrer, eu falo isso pelo seu bem!", ela insistiu.

Na hora olhei pro lado. Vi a ligação perdida. Deitei a cabeça na cama, mudei o telefone de ouvido e respirei fundo. Eu me sentia confiante, sentia que aquilo que sentia por ela era forte, era verdadeiro, e que eu poderia tentar e saberia que iria dar certo.

Aquilo era um sinal. Aliás, vieram vários sinais. Parece aqueles filmes, sabe? Deus parece que escreve certo em linhas tortas, pensava. Tudo estava se encaixando.

Eu não vou mentir que eu não nutria algo profundo por aquela menina que eu tinha ficado. Eu ficava com ela mas pensava na outra. Me sentia bem junto da outra. Era alguém que queria algo sério. Alguém que estava investindo, alguém que eu sabia que ia dar certo pois tudo estava se encaixando perfeitamente.

Todo esse pensamento isso durou apenas alguns segundos. Ainda no telefone, respondi para ela:

"Escuta... Não tá rolando nada", recomecei, "Eu quando estava ficando com ela eu estava já interessado em outra. Pensei que não daria certo, mas agora tenho certeza. Tenho certeza que era ela que eu deveria ter investido desde o começo. Eu sinto isso!", disse pra ela no telefone.



No outro dia tentei chegar nela. Levei um fora.
E todos aqueles "sinais" foram pela descarga.

No final das contas, não era nada. E nunca foi.
Eu que fiquei fantasiando coisas que nunca existiram.

E quem estava falando comigo aquele dia no telefone não era a garota que eu estava afim, mas sim alguém muito próximo dela.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mudança no comportamento masculino.

Não podemos negar que a revolução feminista, que teve como principal vitória a garantia de voz, trabalho e direito ao sexo na década de sessenta tenha trago coisas bacanas pras mulheres. É por causa delas no passado que hoje você, mulher, pode sentir aquela gozada na sua buceta do seu namorado sem medo de engravidar.

Tem gente que afirma que os homens não seguiram nessa evolução. Eu acho que rolou mudanças sim. Homens puderam demonstrar sentimentos sem culpa, viraram pais melhores e mais participativos e viram que poderiam fazer coisas ditas femininas que antes não eram permitidos também por um enclave social.

Hoje talvez estejamos colhendo os frutos de uma outra mudança de comportamento masculino, muito graças à crescente comunidade gay.

Antes de mais nada sou heterossexual convicto. Mas sou um nerd também e gosto de saber de um pouco de tudo (nerdices...). Esse texto não é pra mostrar nenhum preconceito, e fiquei analisando muito as coisas ao meu redor antes de afirmar cada linha abaixo.

Qual seria esse novo comportamento masculino que está crescendo? Vamos lá: Antes meninos somente brincavam com meninos e vice-versa. Hoje os meninos brincam com meninas, desde coisas masculinas como futebol como femininas como boneca. E eles não viraram homossexuais, o que acaba com um grande tabu que existia.

Será que um homem pode ser amável, sentimental, compreensivo, fiel e inteligente, e ao mesmo tempo saber te dar um amasso com pegada, ou te botar de quatro na cama e bombar uma noite inteira? Garotas, é o homem friendzoned!

É o mesmo garoto que era motivo de zueira na escola porque andava com as meninas. Vou ser sincero, eu era muito clube do bolinha quando era moleque, mas os primeiros que conseguiram a proeza de beijar alguém com oito, nove anos foram esses meninos que a gente zuava porque preferiam ficar brincando com as meninas. Um tanto controverso, mas não sou um estudioso da área.

Acho que a crescente importância na mídia que a comunidade gay anda tendo acabou sendo um dos fatores pra surgirem os friendzoneds. O homem friendzoned ainda é motivo de preconceito por parte das mulheres, que acabam jogando-o no círculo de "apenas amigos", quando na verdade são incompreendidos. E eles querem algo com você!

Muitas vezes porque ele encarna muito dos fatores de um homem gay, mas não vive sem uma bela duma xoxota. É um homem amigo, que tem grandes chances de ser um excelente namorado e te fazer feliz se você, mulher, abrisse um pouco sua cabeça e tivesse menos testosterona que nós.

Estava vendo ao meu redor muitos camaradas sendo jogados na friendzone sem dó por parte de suas paqueras femininas. Alguns até afirmaram que a menina pensava que ele fosse gay. Mas... Não! Talvez não sejam machões barbados (se parar pra pensar barba é fácil de crescer!), mas vi casos de garotos amiguinhos que se deram bem com o sexo oposto. E alguns que até eu nem imaginava que iam conseguir encontrar uma mulher antes dos quarenta, conseguiram.

Portanto mulheres, abram os olhos!