quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Stranger (2017)


É difícil qualquer coisa que tenha a Bae Doona sair ruim. Ela é uma atriz do caralho, muito, muito, muito boa, e esse foi um drama coreano daqueles que eu contava os dias pra não acabar, de tão bom que era.

Stranger (비밀의, em português: "Floresta dos Segredos") é um drama policial que conta a estória de Huang Si-mok (Cho Seung-woo), um promotor de justiça nem um pouco simpático que junto com a competente tenente Han (Bae Doona) desvendem um assassinato que os levará a peitar até os líderes políticos do país, revelando uma rede de conspirações que ameaça pessoas do alto escalão da Coréia.

Quem matou Park Moo-sung?
Logo no primeiro episódio mostra o protagonista, o Si-mok, em flashes da infância. Eu não entendi direito, só depois que revi, mas mostra que ele sofria com terríveis dores de cabeça por conta de um cérebro avantajado. Para resolver seu problema tiveram que remover um pedaço do cérebro, e tiraram justamente a parte que lida com emoções. Mas não quer dizer que ele mesmo adulto não sofra com crises, e o primeiro episódio já começa com uma crise bem pesada.

Eu no começo associava crises de dores de cabeça com mortes que aconteciam. E durante o seriado ele tem umas três crises terríveis, contando essa do primeiro episódio. Coincidência ou não, acho que não foi por acaso que os roteiristas deixaram passar esse detalhe. Acontece que ele vai visitar um conhecido, chamado Park Moo-sung, e ao entrar na casa descobre que ele foi assassinado.


Si-mok deduz que deve ter sido o técnico da tevê por assinatura, pois claramente estava com problema, e levaram inclusive jóias do velho senhor Park. Porém o técnico insiste que não foi ele quem matou, que ele já o encontrou morto, e no desespero acabou levando as joias que estavam dando sopa.

Acontece que não colocam o Si-mok para investigar, e sim uma nova promotora que era sua estagiária, a Young Eun-soo (Shin Hye-sun, foto acima), e usando uma gravação da câmera de segurança de um táxi que estava na frente da casa do senhor Park, ela o indicia pelo assassinato usando isso como prova, pois supostamente ele abriu a janela quando ouviu a campainha, logo o senhor Park estaria vivo até aquele momento.

Tudo poderia acabar aqui, mas o técnico da tevê por assinatura até o último momento diz que ele era inocente, e já havia encontrado o senhor Park morto. Ele termina se suicidando na cadeia, deixando todo o país em choque. Será que ele era mesmo inocente?

O que torna os personagens tão humanos


É curioso como  os personagens possuem diversos detalhes legais que os tornam muito humanos! Acho que é uma ótima coisa explorada no seriado. Uma das coisas mais legais é a dualidade entre o Si-mok e a tenente Han, pois ele é todo sério e não expressa os sentimentos e ela é toda criançona, faz desenhos das pessoas sem habilidade alguma em artes, e entrega a eles, mesmo que pareça infantil.

A Eun-soo é tipo a dama em perigo. Ela é toda fraquinha, magrelinha, com jeitinho de adolescente, e como a bichinha sofre ao longo da série! Como se não bastasse ter sido a que colocou o técnico da tevê detrás das grades, resultado no suicídio dele, ainda passa por maus bocados na série. Ela é bem gatinha e é um ano mais nova que eu (pensava que ela era BEM mais nova), e tem uns episódios que ela veste terninho e saia. Ô beleza essas pernas tortas de asiáticas, hahah.


Embora não sejam tão bem usados na história, Si-mok tem dois assistentes. Um é gay, e é muito engraçado, pois ele é todo atrapalhado. É o alívio cômico da série. Mas a minha favorita é a senhorita Choi (Kim So-ra, acima), pois ela tem mais cara de mulher feita mesmo, não tem tanto jeito de menininha da Eun-soo. Casaria fácil.

Roteiro de prender a atenção até o final
Acho que o mais legal é ver como investigações da promotoria funcionam. Talvez seja assim que vão prender o Lula, e o Sergio Moro é tipo uma versão brasileira do Si-mok, correndo atrás de investigação e justiça, independente se for poderoso ou não.

O curioso é que o culpado (ou "os culpados") nós que vamos assistindo vamos a cada momento mudando de acordo com as provas que vem a tona. O esquema não é apenas descobrir quem está por detrás de tudo, mas também as motivações, e a cada episódio vão surgindo mais e mais evidências monstruosas, que confundem, que explicam, que nos deixam furiosos ou questionando o óbvio.


Existe muita porcaria quando se trata de dramas coreanos. Muita porcaria mesmo. Eu tentei assistir esses romanticozinhos, mas são insuportáveis, embora tenham atrizes gatinhas. Atrizes gatinhas pode até ser um atrativo, mas quando o roteiro cai na babaquice, não tem muito o que fazer. Sorte minha que a Netflix indicou esse, que assim como White Nights (que eu já falei aqui) ajudam a salvar e elevar o nível desse país que produz tanto conteúdo legal.

Não perca tempo e assista agora. Se você quer um drama com uma história sólida e que te prenda do começo ao fim, assista Stranger na Netflix, sem erro! E ainda tem a Bae Doona! Coreana da porra!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Amber #94 - O preço do descuido.

Era o homem loiro! Eunmi reconheceria aquele rosto de longe, era extremamente marcante e único! Mas o que raios ele estava fazendo ali, sequestrando Chou Xuefeng? O que é que ele queria?

Eunmi tomou um susto a ponto de a chocar tanto que ela não conseguia mais avançar no meio da viela, por não acreditar naquilo que ela via. O homem loiro então aproveitou e tomou a dianteira, se aproveitando da situação da coreana. Então subitamente ela lembrou da missão, que Chou Xuefeng deveria ser pego a qualquer custo, e voltou a correr atrás deles, dando o máximo de si. Ao longe viu o homem loiro com o fotógrafo chinês virar na esquerda em uma esquina e ela o seguiu.

Mas quando cruzou a esquina percebeu que não adiantaria nada essa perseguição toda. E a frustração veio como um imenso balde de água fria: Era uma rua com uma bifurcação. E na saída da esquerda ainda lá na frente se dividia em mais duas, e não havia mais sinal de ninguém. Nem do homem loiro, muito menos de Chou Xuefeng.

Completamente frustrada por ter falhado numa missão tão simples por culpa de um descuido besta, Eunmi voltou o caminho. A explosão havia acontecido e ela devia correr para ajudar Tsai e os outros. Seu coração estava a mil, não apenas por conta da corrida, mas também refletindo a dificuldade que seria encarar todos, que contavam tanto com ela.

Entretanto, quando ela cruzou o início da viela, caindo na rua da casa de Chou Xuefeng, ouviu tiros e explosões acontecendo. Subiu num muro ali mesmo e esticou o pescoço para enxergar.

“Japoneses?!”, disse Eunmi pra si mesma, sem acreditar.

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“EMBOSCADA!! É UMA EMBOSCADA!!”.

Schultz e Ho se assustaram com o grito repentino de Tsai. Ao virarem o rosto viram Tsai correndo para a entrada da casa. Ho rapidamente a seguiu sem hesitar, e Schultz, ainda assustado demorou a reagir. Cruzou a porta e voltou o olhar para o cômodo onde Tsai estava.

Esses segundos foram valiosos. Como Schultz, uma pessoa tão experiente, tão segura de suas habilidades desperdiçaria esses segundos que cobrariam seu preço instantes depois? Talvez o que existia era o fator humano. Em sua cabeça inconscientemente havia a missão de “proteger Tsai” que Li havia dado. Na sua mente havia uma certeza de que se algo fosse acontecer com alguém, seria Schultz quem seria o defensor. Seria ele o “homem” que iria até o salvamento. Seria ele quem iria fazer a diferença.

Mas o destino é de pregar essas peças. Dizem que essas coisas acontecem com a gente exatamente para questionarmos nossos paradigmas, nossas concepções de mundo, aquilo que achamos que é o correto, o fluxo natural das coisas.

Merda! Ela disse ‘emboscada’? Cacete, deve ser uma BOMBA!, pensou Schultz, antes de sair enfim correndo de lá.

Mas ao cruzar a entrada da casa Schultz ouviu uma explosão imensa. Seus ouvidos ficaram tapados, emitindo um zunido característico, enquanto sua visão ia ficando turva por conta dos detritos que subiam do chão, como se lançados ao longe por um sopro divino. Uma força invisível o jogou pelos ares, que, nervoso, não sabia exatamente como cair e jogou o peso do corpo todo pra frente, sendo lançado de ponta-cabeça contra a mureta da casa de Chou Xuefeng.

Schultz bateu as costas com tudo no muro e caiu no chão, inconsciente.

Tudo era escuro. Ao longe Schultz ouvia uns sons abafados, pareciam estalos. Mas tinha uma cadência alta, logo não deviam ser estalos. Parecia que estavam estourando a metros de distância, o jeito era abrir os olhos.

Por mais que tentasse abrir os olhos, eles não respondiam. Schultz fazia força, e cada vez mais os sons de estalos iam ficando mais e mais altos. Os estalos se transformavam em rojões. E os rojões rapidamente ele distinguiu que eram tiros. A escuridão ainda dominava seus olhos, não conseguia se mexer, não conseguia abrir os olhos. Aquela situação era agonizante por si só, mas era uma forma que o corpo humano havia encontrado para se proteger depois de um choque tão forte.

“Rápido!! Gongzhu, entra lá e pega o Schultz que eu te dou cobertura!!”.

Schultz se perguntava o que havia acontecido? Será que ele havia morrido? Suas costas doíam horrores, e sua cabeça latejava de dor. Ele parecia que conseguia “ouvir” a dor que pulsava na sua cabeça, uma dor enorme, muito chata e insistente.

Conseguiu então abrir uma frestinha com seus olhos. E não conseguia ver muita coisa. Via algo brilhante, laranja, e percebeu pelo calor que emanava que deviam ser chamas. Vários feixes de luz cruzavam o céu como estrelas cadentes. Ou ao menos era isso o que parecia no meio de todo aquele imenso mundo desfocado.

“Schultz, Schultz! Consegue me ouvir?”.

Essa voz ele reconheceria em qualquer lugar. Era Tsai. Ela estava na sua frente, não como a princesa que devia ser resgatada, mas como uma verdadeira cavaleira resgatando ele, que naquele momento era mais o “príncipe em perigo” da estória do que o “salvador da princesa”. No fundo do seu coração se perguntava porque raios não saiu correndo como todo mundo, achando que era invencível? Agora nem ele sabia se ele estava vivo. E se estivesse vivo, estaria bem? Mas Schultz queria ainda mostrar que estava tudo bem. Mesmo que seu corpo não reagisse a toda a força que empregava tentando se erguer, tentando fazer pose e mostrar que estava tudo nos eixos, Schultz respondeu à Tsai:

“Claro! Nunca estive melhor!”.

E do nada aquele desfoque ficou nítido. E nesse momento viu o rosto que a casa em chamas e destruída de Chou Xuefeng iluminava. Balas passavam voando por cima, gritos de soldados e explosões de granadas de fragmentação, mas nada disso importava. Era o rosto de Tsai Louan no centro disso tudo, fazendo algo que raramente ele a via fazendo: ela estava sorrindo.

No fundo Tsai não acreditava que mesmo naquele estado todo machucado e praticamente inconsciente Schultz conseguia ainda fazer graça num momento daqueles. Ela jogou o braço do alemão sobre seu ombro e sem maiores dificuldades o ergueu, como um soldado que salva o outro do meio da guerra, o carregando. Era impressionante o quão Tsai era forte.

Conforme Tsai ia levando Schultz para fora da casa, ele começava a recobrar completamente os sentidos. Tudo ainda estava doendo horrores, e ele lutava para continuar acordado e lúcido. Mas se sentia bem sendo carregado por Tsai. Ela era forte. E talvez muitos homens se sentiriam mal por acabar dependendo de uma mulher para salva-lo, mas naquele momento Schultz se sentia muito bem. Com o rosto sobre seu ombro ele percebeu o cheirinho único que ela tinha. Uma mulher tão capaz de se defender, e até mesmo defender os outros, tinha um cheiro tão doce...

E nesse momento Schultz ficou se perguntando o que era aquilo? Schultz não conseguia sentir amor por mulheres. Mulheres eram apenas para sexo, e nada mais. Achava que havia sentido amor por Ingrid Müller, mas aquele amor que ele dizia sentir, apesar de parecer imenso, era um amor que doía.

Com Tsai era diferente. Era como ser carregado no colo. E que essa sensação era a melhor do mundo. Era como algo que o preenchesse por completo em sua alma. Era uma coisa que o fazia contar os minutos para a encontrar de novo, mesmo que tivesse acontecido há segundos atrás, pois a presença dela era repleta de paz. Uma paz o que fazia sentir como se ele quisesse parar tudo e ficar apenas ali, nem que fosse sentado do lado dela, sem fazer nada. Mas que esse gesto tão pequeno e sem segundas intenções o faria subir aos céus de felicidade, ao mesmo tempo que fincava os pés no chão para não se perder no meio daquela doce realidade.

“Ah, tiros! Schultz, pegue a arma no meu coldre! Você consegue atirar?”, gritou Tsai. E Schultz enfim voltou para a realidade. Viu o coldre na cintura de Tsai e com seu outro braço pegou a arma. Quando Tsai percebeu isso virou junto com Schultz em direção dos soldados inimigos e Schultz começou a abatê-los, na medida que Tsai tentava avançar carregando Schultz para um local seguro.

“Isso, Schultz, vai!!”, gritava Tsai no meio das balas, caminhando para um local seguro. Mas as balas havia acabado, e ainda tinham uns dois soldados vindo na direção deles.

“Merda!! Preciso recarregar, Tsai!!”, gritou Schultz, enquanto os soldados cada vez mais se aproximavam. Tsai levou Schultz para trás de uma parede de uma casa na esquina e o deixou lá sentado no chão. Ela pegou a pistola e trocou o pente rapidamente, engatilhando novamente. De súbito os tiros que continuavam a ser disparados, pararam.

“Hã? Será que foram embora?”, Tsai pensou alto para Schultz. Ele ainda estava todo dolorido, era difícil responder, mas ele fez um gesto de que não sabia.

E então um soldado japonês apareceu na frente deles. Foi tudo muito rápido, ele nem precisou mirar muito, simplesmente apontou sua submetralhadora para Tsai pronto para disparar, e barulhos de tiro foram ouvidos.

Porém os tiros definitivamente não eram do soldado japonês, pois foram ouvidos de trás deles. O soldado japonês caiu ferido no chão, soltando sua arma, como um saco de areia.

“Minha nossa, deu tempo!”, disse Li, atrás deles, na outra esquina da casa em que eles estavam se protegendo. Ela estava sorrindo com uma pistola na mão, saindo ainda fumaça do cano. Ela parecia ter caído do céu para salva-los.

E então, de súbito, mais barulhos de tiros foram ouvidos de onde Li estava. Ela correu, mas foi possível ver sangue flutuando no ar enquanto ela soltava alguns gritos de dor. Li começou a correr então na direção de Tsai, que ao ver sua amiga sendo alvejada, sacou a pistola e deu três precisos tiros na cabeça do oficial japonês que havia surpreendido Li, dando a volta pelo outro lado e a alvejado pelas costas.

Os dois últimos soldados haviam se separado, um foi para frente de Tsai e o outro foi lhe dar retaguarda pelos fundos, na rua de trás. Porém Li defendeu Tsai, aparecendo e alvejando o que veio pela frente, mas não contava que apareceria outro vindo do beco de onde ela estava e que ainda por cima de tudo atiraria contra ela sem hesitar, mesmo sendo abatido momentos depois de disparar por Tsai.

Li estava caída no chão, inconsciente.

“Chou!! Chou!! Venha cá logo, por favor!!”, gritava Tsai, enquanto ia até Li. Chou apareceu alguns segundos depois e Schultz foi levado por Ho e Chen.

Eunmi foi a última a chegar e simplesmente ficou sem palavras. Por conta do seu descuido o preço a se pagar seria a vida de Li, que se sacrificou para salvar Tsai e Schultz da morte iminente. A coreana olhava para aquela cena sem acreditar, sentindo um peso enorme no seu peito. Agora tudo estava perdido.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Amber #93 - EXTRAÇÃO.

Chen estava já na frente, armando pequenos explosivos na porta da casa de Chou Xuefeng. Schultz foi na frente, e o viu lá. Ele mal havia conversado com ele, e não sabia lidar com ele pelo fato dele ser surdo. Por um momento preferiu evitar um eventual contato, mas bem na hora que ele estava indo se virar para dar meia volta, Chen se virou e os dois se viram.

De início Schultz ficou meio desconcertado. Os dois ficaram se encarando e um gelo imenso surgiu entre os dois ali, a poucos metros de distância, em silêncio e sem graça, encarando um ao outro naquela rua deserta e escura à noite. Sem saber como reagir, Schultz ficou parado. Mas Chen, mais maduro, deu um pequeno sorriso pra Schultz e se virou pra continuar seu serviço.

Schultz viu então que aquilo tudo era besteira, e se aproximou de Chen. Aquele sorriso era sinal de que ele bem mais simpático do que imaginava. Ao se aproximar de Chen, Schultz se agachou do seu lado e começou a ajuda-lo. Quando Chen percebeu que Schultz estava lá do seu lado foi a vez de Schultz dar um sorriso simpático para o chinês que ele praticamente desconhecia.

“Acho que a gente nunca chegou a conversar muito, né?”, disse Schultz, tomando cuidado para não falar alto. Chen não havia se virado para Schultz, logo fez cara de quem não entendeu, e fez um gesto para que ele repetisse, e alemão repetiu a mesma coisa, gesticulando bastante e abrindo bem a boca, para que Chen eventualmente pudesse compreender, mas ainda manteve o tom baixo para não denunciar seu local para Chou Zuefeng ou os militares japoneses dos arredores.

“É verdade. Mas não pense que eu sou antipático. Apenas sou uma pessoa mais introspectiva”, disse Chen, e Schultz ficou surpreso! Era uma das poucas vezes que ele havia ouvido a voz de Chen, que era bem grave. Uma voz que contrastava com sua aparência frágil e baixa estatura. Ainda surpreso em estar trocando palavras com o chinês, Schultz não sabia o que responder. Foi Chen que prosseguiu: “A minha esposa já fala bastante por nós dois, haha. Então eu prefiro não incomodar. Sou uma pessoa um bocado tímida também”.

“Tímido? Nossa, não parece. A gente nem teve como conversar, e esqueço que você não é totalmente surdo. Acho que no fundo é um preconceito besta que eu tenho, você entende perfeitamente o que digo”, disse Schultz, da mesma maneira que antes, gesticulando e abrindo bem a boca pra falar para ajudar Chen a entende-lo melhor. De fato funcionou, pois Chen sequer pediu pra ele repetir.

“Eu sou bom em leitura labial. Eu meio que sempre fui antes, eu era quase que um espião pra decifrar conversas de longe, usando binóculo, apenas fazendo leitura labial para a Gongzhu. Não precisa gesticular tanto, senhor Schultz. Consigo entender mesmo se você fizer um movimento mínimo de lábios”, disse Chen, dando uma piscadinha. Schultz então se surpreendeu. Pensava que Chen era uma pessoa perdida no grupo, uma pessoa que não falava muito e ouvia nada. Uma pessoa que apenas servia para explodir as coisas e só. Mas no fundo Chen sabia exatamente tudo o que estava acontecendo ao seu redor, mesmo que não conseguisse ouvir com os ouvidos. Ele ouvia com os olhos, por meio de uma leitura labial avançadíssima.

“Cara, incrível, mudou completamente o que pensava sobre você, pra melhor. Isso aí é pra quê?”, perguntou Schultz, apontando para os explosivos na porta. Eram pastilhas, não pareciam capazes de grande coisa.

“É uma coisa que criei. Funciona para arrombar portas, mas com explosivos. A explosão é relativamente baixa e apenas estoura a porta, permitindo a gente entrar”, explicou Chen, apontando para as pastilhas explosivas coladas na madeira da porta, perto da fechadura e dos trincos, “O Huang era ótimo com fechaduras, mas infelizmente ele não está aqui. Então vai ser do meu jeito mesmo, a Gongzhu permitiu, apesar do perigo do barulho”.

“Invenção sua?”, disse Schultz, olhando mais de perto as pastilhas, “Você pode ser quietinho, mas é bem inteligente!”.

Chen deu um sorriso para Schultz. Aquela conversa poderia ter sido curta, mas havia quebrado as primeiras impressões que cada um tinha do outro. Schultz imaginava Chen um antissocial, mas ele era apenas uma pessoa mais introspectiva, e incrivelmente inteligente. Já Chen achava Schultz um antipático, mas se surpreendeu ao ver que o alemão era uma pessoa muito melhor que ele poderia imaginar.

“Estou só no aguardo da ordem da Gongzhu. Ela já está vindo?”, perguntou Chen.

“Na verdade ainda não, ela está combinando as coisas com a Eunmi, Li, Chou, etc. Eu vim aqui apenas ver como estava o andamento das coisas que você tá fazendo, mas vou voltar lá e ver como está a situação! Com licença, Chen”, disse Schultz, se retirando da frente de Chen, que sorrindo novamente, confirmou com a cabeça. Chen era realmente muito simpático e bem mais bacana do que imaginava. O alemão então fez o caminho de volta de poucos metros até onde todas estavam reunidas, e viu Tsai descendo com Ho, enquanto Chou ficava ainda lá em cima, perto de Li que estava com seu rifle de atiradora de elite a postos, observando todo o movimento na rua.

“Vamos, Schultz”, disse Tsai, se aproximando de Schultz, “Vou deixar a Chou de olho no Yamada. E também a postos caso alguém precise de cuidados médicos. Vamos eu, você e a Ho invadir a casa e retirar Chou Xuefeng de lá”, nessa hora Tsai cruzou Schultz e seguiu em direção da casa que iriam invadir ao lado de Ho, enquanto Schultz continuava parado lá as observando. Tsai, ainda caminhando, se virou para Schultz e completou, dizendo o resto do planejamento: “Eunmi vai ficar na rua detrás. Li vai nos dar o suporte como atiradora de elite. Todos nós estaremos ligados nos rádios intercomunicadores no ouvido, deixe o seu ligado também”.

“Sim, princesa! Já estou indo!”, disse Schultz, acelerando o passo indo até Tsai.

“Ei, Schultz!”, disse Li, num tom alto, chamando Schultz lá de cima da casa, “Proteja a Gongzhu, viu! Mesmo que isso signifique sacrificar sua vida!”.

Schultz deu um riso ao ouvir e se virou para Li antes de responder:

“Ah, qual é, menina! Tá parecendo discurso de quem vai morrer em filme! Isso vai ser mais fácil que roubar doce de criança, daqui uns cinco minutos estamos de volta. Vê se fica de olho aí pra nos proteger!”, disse Schultz, voltando a acelerar o passo na direção de Tsai e Ho. Antes de entrar na casa viu Eunmi cruzando o quarteirão do outro lado, e bem nessa hora a coreana se virou e viu Schultz lá, perto da entrada. Ele fez um sinal de positivo com o polegar pra coreana que retribuiu, seguindo seu caminho. Todos estavam a postos.

“Pode arrombar a porta, Chen, por gentileza”, disse Tsai, via rádio. Chen se preparou pegando o gatilho do explosivo, “Lembrem-se: Chou Xuefeng deve ser capturado vivo a qualquer custo. Iniciando extração, agora!”.

E a explosão dilacerou a porta.

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Eunmi, já chegando na saída dos fundos da casa de Chou Xuefeng ouviu no rádio comunicador no seu ouvido a ordem de Tsai para começarem a missão. A explosão foi um pouco mais baixo que um rojão, era difícil pra ela imaginar que aquele barulho era capaz de destroçar uma porta, mas ao mesmo tempo era impossível de passar desapercebido, ainda mais no meio da noite.

Espero que isso não atraia japoneses aqui. Vamos ter sérios problemas se tivermos que proteger esse fotógrafo ao mesmo tempo que entramos em combate com soldados japoneses, pensou Eunmi. Ela esticou o pescoço e viu que não era possível ver o ponto em que Li estava, exceto alguns metros dali. Logo essa saída dos fundos da casa do chinês era um ponto cego para Li, que não tinha como saber se o chinês fugiria por ali.

Ao seu redor Eunmi via algumas casas, e ao prestar mais atenção via que, apesar de estarem as luzes desligadas, era possível ver os olhos brilhando de quem estava espiando de dentro o movimento na rua, refletindo as luzes da iluminação pública. A explosão chamou a atenção da vizinhança, mas o clima em Nanquim não era dos melhores. Pessoas tinham medo. Medo inclusive de espiar.

Eunmi de alguma forma passava mal naquela situação, uma vez que parecia que haviam tantas pessoas a observando. Mas nessas horas ela tentava voltar ao foco da missão. Sua missão era proteger aquele local, e pegar Chou Xuefeng caso ele tentasse fugir.

“Ei, Eunmi-ya! Eunmi-ya!”, disse uma voz masculina atrás dela. Ao se virar viu que a alguns metros dali havia uma pessoa. Ao se aproximar, teve uma péssima surpresa. Era seu primo, Jin-su. Novamente.

“Eu já disse pra me deixar em paz, Jin-su!”, disse Eunmi, impaciente.

“Eunmi-ya, vem aqui, vamos conversar! Desliga esse comunicador, rapidinho, vem!”, disse Jin-su, apontando pro ouvido. Mais tarde, enquanto refletia as consequências dessa escolha, ela relembrou que nesse momento ela não tinha a intenção de dar ouvidos ao que Jin-su queria falar. Deixaria ele falando ali, ou daria algum golpe para apaga-lo. Jin-su, apesar de ser da sua família, havia feito algo que ela jamais conseguiria perdoar. Essa proposta de irem morar no Japão a custo de sua identidade tinha feito ela se sentir profundamente indignada. Ela apenas se aproximou de Jin-su depois que ele, ao ver que ela não chegaria perto dele de forma alguma, disse as seguintes palavras: “Eu te devo desculpas!”.

“Desculpas?”, disse Eunmi, tirando o fone do ouvido e desligando seu comunicador, “Ainda bem que você desistiu dessa loucura de ir morar no Japão e virar japonês!”.

Mas Jin-su baixou a cabeça e balançou negativamente. Eunmi não podia acreditar no que ele falaria a seguir.

“Não, Eunmi, eu não desisti de ir morar no Japão. Eu vim exatamente pedir desculpas por ter sido grosso com você antes, mas não vim pedir desculpas por ter proposto você ir comigo e termos uma nova vida no Japão”

“Eu não acredito! Você ainda insiste nisso?”.

“Eunmi, por favor venha comigo! Larga tudo, deixa eles se virarem aí, eles não te devem nada! De manhã vamos cruzar o mar até o Japão, temos uma casa garantida, um emprego, uma nova vida! Que se explodam essas coisas de honra que você tem, a gente tem é que pensar na nossa sobrevivência em primeiro lugar! A vida real não tem espaço pra sonhos ou utopias!”.

“Eu já te disse que eu não vou, Jin-su! Se quiser ir, vá sozinho! Eu tenho uma missão, faço parte de um grupo que não quer suprimir quem eu sou. Querem me ajudar, e eu quero ajuda-los em troca também! Essas pessoas me inspiram todos os dias para que eu dê meu melhor! Não desperdice seu tempo, nem o meu tempo tentando me convencer de algo que eu jamais aceitarei!”.

Mas nessa hora Jin-su avançou e segurou no braço de Eunmi. Ao olhar sua expressão Eunmi viu que ele não tinha raiva. Até que não estava apertando. Era uma abordagem diferente, mas ao mesmo tempo igual do que ele havia feito. Ela podia ver o clamor nos olhos dele. E talvez por um segundo ela teve dúvida. Será que não seria melhor ir para o Japão e ter uma nova vida lá, do que morrer como uma coreana por ter desafiado o exército japonês que os havia conquistado?

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Tsai, Schultz e Ho entraram na casa. A casa de Chou Xuefeng era pequena e não tinha nenhum andar superior. Em segundos poderia ser completamente vista e checada, então Tsai apontou para Ho e Schultz irem para a cozinha e pra sala, respectivamente, enquanto ela ia direto no quarto dele.

Chen os esperava do lado de fora, prestando atenção no movimento da rua, junto de Li que estava de olho em tudo através do visor do seu rifle de atirador de elite.

Tá tudo calmo. Calmo até demais, disse Schultz enquanto verificava a sala. Tinham algumas fotografias espalhadas em quadros ao redor, mas não era possível descrever com exatidão por conta da escuridão. A parca luz que vinha da janela iluminava muito mal o local, mas ainda assim era possível ver que não havia ninguém lá. O cômodo estava limpo.

Ho também viu que apesar da louça para lavar, tudo parecia bem. Um pouco de comida nas panelas, e ao abrir ela viu que era arroz. Talvez o fotografo era mais do sul da China, onde eles tinham mais o costume do comer arroz, ao contrário do norte que usualmente preferem macarrão. A cozinha era iluminada por um lampião, aparentemente ligado para caso o chinês precisasse pegar algo na cozinha na noite. Mas ao verificar nos cantos, Ho percebeu que o local também estava limpo.

Tsai então entrou no quarto, sem fazer barulho. Caminhando lentamente, viu que a cama estava desarrumada, e era possível distinguir um volume debaixo das cobertas. Fazia frio, era sensato estar tão coberto assim.

“Alvo localizado, ele está aqui. Estou me aproximando”, disse Tsai, via rádio, para todos ouvirem.

Com sua pistola em punhos, a Gongzhu foi se aproximando passo a passo. Colocou a mão no cobertor e sentiu algo estranho nos seus dedos. Não teve muito tempo para pensar. Puxou o cobertor para revelar quem estava debaixo daquilo.

Tsai tomou um susto enorme nesse momento.

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Momentos antes de Tsai entrar no quarto de Chou Xuefeng, Li continuava de olho nos arredores. Estava de noite, e obviamente eles não tinham condições de terem escopos de visão noturna, uma novidade militar da época. Mas ainda assim dificilmente algo escaparia da visão aguçada e treinada de Li.

Na rua da frente era possível ver que não havia nenhum movimento. Estava deserta. Conforme Li ia virando o escopo pra observar toda a extensão da rua, percebeu ao longe um movimento na rua de trás. Por conta da escuridão, era possível ver apenas quando o vulto era iluminado pelas luzes do postes. O que uma pessoa fazia tarde da noite ali?

Ao aproximar o visor do vulto percebera que na verdade não era uma pessoa. Eram duas. Era possível ver que havia uma pessoa atrás de outra, caminhando na calçada, olhando para trás enquanto empurrava a pessoa na frente, que parecia estar em seu domínio. Não era possível distinguir rostos, menos ainda feições, e Li não poderia arriscar um tiro. Pois nesse momento ela pensou o óbvio: poderia ser Chou Xuefeng sendo sequestrado!

“Eunmi, Eunmi! Tem uma pessoa suspeita na rua onde você está!”, disse Li no intercomunicador, “Eunmi, Eunmi, pode ir lá verificar? Parece que é um refém!”.

Passou alguns segundos, mas não ouviu o retorno de Eunmi. Os dois vultos continuavam caminhando na rua detrás da casa, que devia ser guardada pela coreana, e cada vez mais se distanciavam do campo de visão de Li.

“Eunmi!! Eunmi!! Pessoa suspeita na sua rua!! Vai atrás deles!! Você tá me ouvindo, Eunmi?!”, repetiu Li no comunicador, mas não obteve resposta de Eunmi.

Ao virar o escopo para onde estava a coreana, viu que ela estava perto de uma viela, e gesticulando, parecia conversar com alguém. Mas ela não conseguia ver, pois a parede escondia a pessoa. Exceto um braço que segurava Eunmi, que estava de costas, sem prestar atenção nos vultos que andavam na rua logo atrás dela.

Li pegou uma lanterna e começou a piscar em direção de Eunmi, chamando sua atenção.

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“Eunmi-ya, vamos comigo pro Japão. Podemos trazer seus pais depois também. Teremos honra, um lar, sustento e uma vida segura como japoneses! Por favor! Eu só estou pensando no seu próprio bem!”, disse Jin-su, com um olhar clemente e cheio de esperanças. Aquilo confundiu Eunmi, é verdade. Mas essa confusão foi apenas por um segundo.

Ela então baixou sua cabeça e balançou, negando aquilo tudo. Voltou seu olhar para Jin-su. Um olhar firme, inabalável, que esbanjava uma determinação que falava por si só. Um olhar que foi como um ultimato para Jin-su, seguido pelo que ela iria dizer:

“Eu cheguei muito longe pra aceitar isso, Jin-su. Não irei. Se você quiser se juntar a mim, as portas estão abertas”, disse Eunmi, gentilmente tirando a mão de Jin-su que segurava seu braço, “Mas não irei aceitar isso. Não irei aceitar uma vida tranquila. Isso é o caminho fácil. E mesmo que eu morra tentando, quero tentar o caminho difícil, pois só assim conseguirei colocar minha cabeça no travesseiro a noite e ter um sono tranquilo, com a certeza de que eu ao menos tentei. Ir para o Japão, abandonar tudo sem tentar depois de tudo o que passei é como estar a poucos metros do cume da montanha e desistir da escalada. Não vou desistir. Não agora, sinto muito”.

As palavras foram ouvidas por Jin-su. Fechou os olhos por alguns segundos, tentando processar aquilo tudo. Ao abrir os olhos seu rosto ficou desfigurado pela raiva, completamente enfurecido, sobrancelhas arqueadas, mordendo os lábios e as rugas saltando às vistas. Não tinha nada a ver com a expressão serena de segundos atrás:

“Então não venha chorar depois, sua vaca imunda. Vai pra puta que o pariu, espero que arda no inferno, sua desgraçada. Você vai sofrer as consequências da sua escolha, não perde por esperar, sua puta desgraçada!”, esbravejou Jin-su, agarrando forte no braço de Eunmi e a puxando com violência: “Vem logo comigo, larga dessa merda!”.

Jin-su puxou Eunmi com força, que ainda estava assustada com toda aquela cena inusitada que o primo estava fazendo. Como era possível mudar a expressão de tamanha forma assim, subitamente? Era assustador e inacreditável. Jin-su apertava seu braço a ponto de doer, e a puxava com violência para dentro da viela, e Eunmi viu que só havia uma chance dela escapar daquilo.

“Me solta!! Jin-su, me solta agora!!”, pedia Eunmi, mas eram pedidos em vão. Jin-su sequer se virou para olhar pra ela. Só havia uma opção então. Eunmi fechou o punho e deu um potente golpe na cara de Jin-su quando ele se virou para encara-la. Instantaneamente ele a soltou, levando as mãos ao nariz, caindo no chão aos gritos. Eunmi se desiquilibrou um pouco, mas rapidamente retomou sua posição. Virou as costas pra ele e saiu correndo de volta para rua que ela devia guardar, e nesse momento viu algo que lhe chamou a atenção:

Uma luz, vindo do local onde Li estava, brilhando na sua direção. Ela se lembrou que estava sem o fone de ouvido e o colocou de volta. Foi então que reconheceu a voz de Li do outro lado.

“Eunmi!! Finalmente!! Rápido, tem duas pessoas cruzando a esquina lá na frente, corre lá e vai atrás deles!!”, ordenou Li, e Eunmi fez isso. Começou a correr desesperadamente atrás das duas pessoas que já estavam a muitos metros dela.

Mas quando ela passou pelos fundos da casa de Chou Xuefeng tomou um grande susto. Ouviu um mesmo grito, idêntico, sendo possível captar do rádio comunicador, como também de dentro da casa do fotógrafo chinês. Era a voz de Tsai. Mesmo depois de ouvir ela já não conseguia parar. A culpa de alguma forma a preenchia, por ter prestado tanta atenção nas asneiras do seu primo e não na missão que se desenrolava logo ali na sua frente. Mas o que Tsai havia berrado era realmente algo extremamente preocupante. Aquela cena, e o que veio a seguir, ficou gravada em sua mente como uma lembrança de profundo pânico e desespero:

“EMBOSCADA!! É UMA EMBOSCADA!!”, gritou Tsai.

Segundos depois do seu aviso uma explosão enorme se seguiu na casa de Chou Xuefeng, lançando detritos no ar e uma onda de choque imensa, quebrando casas na vizinhança no meio daquela imensa bola de fogo que subia aos céus. Eunmi continuava correndo, e nesse momento as duas pessoas que ela perseguia, os vultos que Li havia reconhecido, perceberam a explosão e que havia alguém muito próximo deles os seguindo e começaram a correr.

Entraram no primeiro beco à direita, com Eunmi correndo logo atrás. Na hora da curva Eunmi conseguiu ver o rosto do homem que estava sendo empurrado na frente, sem dúvidas era Chou Xuefeng. Ela virou no beco e continuou os seguindo, cada vez mais se aproximando, graças aos treinamentos de aptidão física que havia feito com Tsai. Quando a luz do poste os iluminou, Eunmi percebeu que o homem que estava atrás, sequestrando o da frente, virou o rosto e ela naquele momento viu o sequestrador.

Seu coração pareceu por um momento parar de susto quando viu quem era.

Era o mesmo homem loiro que, semanas atrás, havia mandado ela ir até a Alemanha atrás de Schultz, para que ele a pudesse ajudar na vingança pelo assassinato do seu noivo.

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